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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Hepatite C ainda é desconhecida da maioria da população, revela pesquisa

O medo de contrair a doença é compartilhado por 52% dos brasileiros residentes em 11 cidades do país, mas apenas 1% considera a doença grave. No total, 84% deles nunca fizeram teste de detecção para a hepatite C e 79% ignoram as formas de tratamento para o problema que atinge 1,5 milhão de pessoas no Brasil
  
A MSD divulgou hoje o resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha que buscava identificar o nível de conhecimento da população sobre a Hepatite C. Do total de entrevistados, 51% não sabe definir espontaneamente a doença, que é responsável por mais de 70% dos quase 15 mil óbitos causados por todos os tipos de hepatites na última década no Brasil.

A pesquisa investigou qual a percepção da população de 11 cidades brasileiras, em relação a um conjunto de aspectos importantes da hepatite C (doação de sangue, diagnósticos, vacinação, complicações no fígado, consequências, entre outros) e o quanto essa percepção interfere para a disseminação de informação sobre a doença.

Sobre a pesquisa
A pesquisa foi realizada por meio de abordagem pessoal e aplicação de questionários, respondidos por 1.137 pessoas, entre 08 e 10 de junho de 2011. O público pesquisado abrangeu homens e mulheres, com 18 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, em 11 cidades brasileiras: de Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Campinas (interior do estado), Porto Alegre e Distrito Federal. A margem de erro para o total da amostra, considerada pelo Datafolha, é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ministério da Saúde divulga mapa das hepatites virais no Brasil entre 1999 e 2010

Os dados, divulgados anualmente, apresentam os casos confirmados da doença, de pacientes que geralmente já apresentam sintomas

Segundo o Ministério da Saúde, o Boletim Epidemiológico das Hepatites Virais no Brasil, divulgado hoje (28/7), é um retrato dos casos confirmados da doença, diferente do Inquérito Nacional de Hepatites Virais, realizado nas capitais e no Distrito Federal, que realiza exames por amostragem de pessoas.

Para registrar os dados do boletim, a principal fonte é o Sistema de Informação de Agravos de Notificações (Sinan). De 1999 a 2010 (com dados preliminares para o último ano), foram notificados 307.446 casos de hepatites virais no Brasil, incluindo os cinco tipos da doença – A, B, C, D e E (quadro abaixo).

“A melhoria da notificação das hepatites no país é fundamental para o Ministério da Saúde. É a oportunidade de chegar àqueles que não conhecem sua condição sorológica, oferecer tratamento e contribuir para a qualidade de vida dessas pessoas”, avalia o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Dados de hepatites virais notificados entre 1999 e 2010*

Hepatite
Número de casos
A
130.354
B
104.454
C
69.952
D
1.812
E
874

HEPATITE A – A maior parte dos casos notificados no período foi registrada nas regiões Nordeste (31,2%) e Norte (22,6%). Crianças menores de 13 anos representam o grupo mais acometido pela hepatite A e compreendem 68,7% dos casos notificados no país, de 1999 a 2010*. Nesse grupo também se concentram as mais elevadas taxas de incidência.

No país, observa-se diminuição da taxa de incidência a partir de 2006, quando se registrou 9,1 casos por 100 mil habitantes. Em 2010*, a taxa verificada foi de 3,1 por 100 mil habitantes. Neste mesmo ano, em relação às regiões, a Norte apresentou a maior taxa (9,7), seguida pela Sul (3,8), Nordeste (3,7), Centro Oeste (3,1) e Sudeste (1,2).

HEPATITE B – A análise por região demonstra que o Sudeste concentra 36,6% dos casos, seguido do Sul, com 31,6% das notificações, entre 1999 e 2009. Nesse período, tanto o país, quanto as regiões apresentaram crescimento das taxas de incidência (número de casos a cada 100 mil habitantes). No Brasil, a taxa passou de 0,5%, em 1999, para 5,6%, em 2009. A região Sul registra os maiores índices desde 2002, seguida do Norte. As taxas observadas nessas duas regiões, em 2009, foram de 13,3 e 12,6 por 100 mil habitantes, respectivamente.

HEPATITE C – Do total de casos de hepatite C registrados entre 1999 e 2010*, 47.830 foram na região Sudeste e 15.095, na Sul. Juntas, essas duas regiões concentram 90% dos casos confirmados no país. As taxas de incidência mais elevadas também se concentram nessas regiões. Enquanto o país registrou incidência de 5,3 casos confirmados para hepatite C, em 2009, a região Sudeste apresentou 8,3 e a Sul, 7,4.

HEPATITE D – Só as pessoas que já são portadoras do tipo B podem ser infectadas pelo tipo D, também causado por vírus. Entre 1999 e 2010*, foram confirmados 1.812 casos de hepatite D, com concentração de 76,3% na região Norte. Os estados do Acre e Amazonas agregam a maioria dos casos acumulados no período e notificados, 555 e 625, respectivamente.

HEPATITE E – Neste tipo da doença, os sinais e sintomas são semelhantes aos da hepatite A. Contudo, esse tipo é raro no Brasil. Entre 1999 e 2010*, foram registrados 874 casos da doença. Do total acumulado, mais da metade 50,6% (442) foram notificados na região Sudeste.

ÓBITOS POR HEPATITES VIRAIS – Entre as mortes atribuídas especificamente às hepatites virais no Brasil, o maior número registrado entre os anos de 2000 a 2010* foi decorrente da hepatite C, com 14.873 óbitos. Em seguida, encontra-se a hepatite B, com 4.978 notificações. No mesmo período, a causa básicas de óbito por hepatites é menor nos tipos A (608), D (264) e E (48). Os óbitos são extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

* Dados preliminares

Estudo mostra o perfil das hepatites virais nas capitais

O percentual da população que tem ou já teve hepatite (prevalência) foi de 39,5% para o tipo A, de 0,37% para o vírus B e de 1,38% para o tipo C


A maior pesquisa sobre hepatites virais já realizada na América Latina revela mudanças no padrão de ocorrência dessas doenças no Brasil, com redução das infecções dos tipos A, B e C, entre 1999 e 2010. Os dados do Inquérito Nacional de Hepatites Virais, elaborado pelo Ministério da Saúde, mostram que, nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, o percentual da população que tem ou já teve hepatite (prevalência) foi de 39,5% para o tipo A, de 0,37% para o vírus B e de 1,38% para o tipo C.

De acordo com critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), a frequência de casos encontrados (chamada endemicidade) das hepatites B e C é considerada baixa no Brasil. No caso da hepatite A, varia entre intermediária e baixa. Até o momento, estimativas da OMS classificavam o país na faixa de endemicidade intermediária a alta, porém não se baseavam em estudos amplos e atuais.

“Os números encontrados no novo estudo são reflexos claros da melhoria das condições sanitárias, no caso da hepatite A, e do impacto da vacinação contra hepatite B”, avalia o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Mais de 26 mil pessoas participaram da pesquisa – 6.468 fizeram teste para hepatite A e 19.634 realizaram exames para detectar os vírus B e C. A população residente no conjunto das capitais representa 23,8% da população total do país – mais de 45 milhões de habitantes. O estudo é um retrato aproximado da prevalência das hepatites virais no Brasil.

O ministro reforçou que a população não deve compartilhar objetos cortantes de uso pessoal, como alicates, tesouras, aparelhos de barbear e agulhas de tatuagem para evitar a contaminação de doenças, especialmente a hepatites. “Hoje, é tão comum o pai querer ensinar o filho a fazer a barba e usar a sua lâmina de barbear, como também é tão comum as pessoas usarem o mesmo alicate de unhas”, ressaltou Padilha.

Durante a cerimônia, o gerente de Marketing do Clube de Regatas do Flamengo, Cláudio Fontenelle, entregou ao ministro uma camisa autografada do time, que será leiloada e os recursos revertidos à causa. Os ex-jogadores, Wilson Piazza (presidente da Federação das Associações de Atletas Profissionais), Carlos Alberto Torres, Dadá Maravilha e Jairzinho participaram do evento. Também estavam presentes à solenidade representantes de entidades e movimentos sociais de pessoas infectadas pela doença, entre outras autoridades do setor de saúde.

Se o padrão observado nas capitais e no DF for considerado para todo o país, a estimativa de prevalência para a população brasileira geral é de 20,5 milhões de pessoas que já tiveram, em algum momento de sua vida, infecção pelo vírus da hepatite A, 800 mil pelo vírus B e 1,5 milhão pelo tipo C.

Para o vírus tipo A, participaram do inquérito pessoas de 5 a 19 anos, faixa etária em que a prevalência permite realizar inferências sobre o padrão de ocorrência da doença. No caso dos vírus B e C, participaram indivíduos de 10 a 69 anos.

domingo, 2 de agosto de 2009

Domingo de sono...

Peço desculpas por vir atualizar o blog tão tarde hoje mas, foi inevitável: eu acabei pegando no sono agora à tarde depois de mais um dia difícil e de duas noites sem dormir. A última, de ontem prá hoje, sem dormir nada mesmo. Porque Lucca vomitou muito. Nessa madrugada, por exemplo, em intervalos não maiores do que uma hora. E, entre esses episódios nada confortáveis prá ele, ainda houve vários pedidos de "mamãe... xixi".

Resultado, nós dois estamos fisicamente muito cansados. Ele, nem se fala. O cansaço pelas noites mal dormidas, pelo desgaste físico, pelas febres que não o largam, pela dor nas costas que acaba tendo de ter ficado a maior parte do tempo deitado. Principalmente, cansado de ficar aqui no hospital, de fazer tudo que todos lhe pedimos e de não ver melhora -- como ele tem repetido.

Eu, por minha vez, bem esgotada. De corpo. De alma. De ver as coisas não melhorarem efetivamente. De ter de assistir quase que de braços atados esse quadro do meu filho.

Ok, sou forte (aprendi a ser, sei lá...), tenho fé, acredito que tudo vai dar certo (E vai!!!!), sempre procuro ver o lado cheio do copo. Mas, confesso sem vergonha: não está sendo muito fácil prá mim...

Choro, choro mesmo. Às vezes, me desespero até. Quando 'o bicho pega' mesmo, invento um banho e choro lá, baixinho, debaixo d'água. Pra voltar pro lado do Lucca renovada e, assim, poder dar-lhe o conforto e a segurança que ele mais do que merece.

O quadro dele é grave, impossível negar. Os médicos também não negam. É visível. Mas há bons indícios, sopros de esperança que faço questão de torná-los furacões. Os exames mostram que a hepatite viral está regredindo (TGO e TGP continuam caindo e começam a chegar a níveis aceitáveis, mesmo ainda acima dos valores de normalidade). A função do fígado também está preservada, como mostram exames como os chamados Fator V e Fator VII. E isso é motivo de grande alívio, já que o principal risco seria Lucca ter uma falência hepática -- isto é, a perda do fígado.

O quadro permanece agravado, contudo, principalmente pelo avanço da GVHD (doença do enxerto contra hospedeiro, na sigla em inglês) no fígado -- que parece ter sido deflagrada no organismo dele depois da agressiva ação do adenovírus e da consequente ocorrência da hepatite. E, ao que tudo indica, ele também deve estar com GVHD no intestino, o que explicaria os contínuos vômitos com sangue que ele vem fazendo. Quer dizer: que vinha.

Sim, Lucca passou a noite toda vomitando mas, graças a Deus, o último episódio desses foi por volta de 8h da manhã. Depois disso e até agora, não voltou a vomitar.... Ufa...

O tratamento para matar o adenovírus e também um novo pra cessar o avanço do GVHD estão em curso, esse últmo há menos de 24 horas. É cedo, portanto, para conclusões.

É tempo, contudo, de renovar as esperanças e acreditar que em uma semana teremos um novo cenário, muito melhorado, muito mais estável, muito mais tranquilo -- principalmente pro próprio Lucca, que só quer poder brincar livre de novo......

Ser eu não me apegar a isso, acabo pirando.....
Quero só pensar positivo!

Tudo vai dar certo. Tem que dar. Já está dando, né?!?!?!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Coração apertado....Tarde difícil.....

Depois de trabalhar ontem e hoje pela manhã, voltei pro hospital por volta das 13h desta sexta-feira. E digo de coração: tive um dos choques mais expressivos dos últimos tempos.... Me deparei com o Lucca deitado, um pouco trêmulo, com os olhos fundos e amarelados, com a pele muuuuuuuito amarela. Um aspecto físico, enfim, todo muito enfraquecido, debilitado.

Os lábios dele também estão bastante machucados, mais do que estavam. Muito ressecados, se abrem em fissuras que começam a sangrar ao menor movimento que ele faça com a boca. Sobram disso feridas escuras, algo nada muito bonito de se ver....

Não estou aqui fazendo essas descrições em detalhes na intenção de chocar ou de nos vitimizar. O objetivo maior é dividir um pouco dessas experiências que nos vemos obrigados a viver depois do transplante de medula óssea.

Sim, porque, no fundo, tudo que está acontecendo, de certa forma, está intimamente ligada ao TMO -- Lucca está muito mais suscetível à ocorrência de infecções porque a imunidade dele ainda não está plenamente restabelecida, ainda está suprimida.

E, o mais complexo: hoje Lucca vivencia uma situação que é uma bola de neve! Como comentei antes, os últimos exames confirmaram que a hepatite viral dele foi causada pelo Adenovírus. Mas ele também está com um pouco de GVHD (Doença do Enxerto Contra Hospedeiro, na sigla em inglês) no fígado.

GVHD em geral se trata com corticóides mas esses medicamentos mexeram um poucona pressão sanguínea do Lucca, elevando-a. Assim, a Dra Gilda Porta, hepatologista infantil que está apoiando a equipe do Dr Nelson no tratamento do fígado do Lucca, prescreve a introdução de um novo diurético (Aldactone) que atuará influenciando num maior controle sobre a pressão, e também o Daclizumabe --- esse que, por sua vez, deixará Lucca ainda mais imunossuprimido e, portanto, ainda mais suscetível a infecções, apesar do cidofovir e dos outros antibióticos que ele continua tomando.

Típica situação para aquela frase popular que diz: "Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come!....". Mas ok, vamos em frente. Não tenho dúvida de que a equipe médica está cuidando com toda atenção desse quadro do Lucca que, sem sombra de dúvida, atualmente, está bastante agravado. Seu estado é de grande atenção.

O que conforta a todos é seus momentos de super boa disposição, a capacidade preservada para realizar eventuais atividades, a despeito de tantos desconfortos, tantos sustos...

Mas há algo que corrói por dentro, especialmente a mim: quando ele chora, copiosamente... repete que não entende porque tudo isso está lhe acontecendo. Diz que gostaria de poder ver Deus para lhe fazer uma única pergunta: "Por que existem as doenças? Seria tão mais legal se não existisse doença no mundo, mamãe...".

E, se pudese fazer mais de uma, ele questionaria também: "Por que as pessoas ficam doentes? Por que eu tenho que continuar aqui ainda por tanto tempo? Por que as coisas estão assim difíceis, demoradas para se resolver...?". "Porque, mamãe", acrescentou ele, "eu não vejo a hora da gente voltar prá nossa casa. De eu poder ficar lá sem catéter, sem nada. De chegar o momento em que nem mais pro ambulatório aqui do hospital eu precise voltar...".

Às vezes, em momentos que ele se sente mais frágil, mais emocionalmente abalado, ele questiona por que teve de fazer o transplante. Chora, reage com angústia, com uma certa revolta até. Deixo-o falar, desabafar, colocar prá fora qualquer angústia que ele sinta (por favor: isso pe mais do que compreensível. Como dio sempre, acho que ele reage bem demais, muito melhor do que muito adulto barbado, a tudo que está lhe acontecendo).

Nessas horas, só faço abraçá-lo forte, firme, como se eu pudesse tomar prá mim qualquer coisa que o aflija.... muitas vezes, não consigo segurar e choro junto com ele.... Depois, quando ele está mais calmo, sugiro que conversemos um pouquinho sobre tudo que está acontecendo -- e que ele entende bem demais prá idade que tem!

Hoje, por exemplo, repeti a ele que daria minha vida se possível fosse prá que ele pudesse restabelecer sua vida normal, antes da adreno, antes do TMO, antes de todas estas infecções que o debilitam tanto.... Digo também que sei que é tudo muito difícil, dolorido, chato, mas que é por uma causa mais do que nobre. Que devemos sempre pensar que, graças a deus, tínhamos o transplante pra fazer. Imagina se não tivessemos?..... Não! Me recuso sequer a imaginar!

Como sempre, ele fechou a conversa com chave de ouro, com uma jogada de mestre, de vencedor mesmo: "é, mamãe, eu sei que é legal poder fazer o TMO pra eu não ter adreno de verdade. Assim, tá, eu tinha adreno, entende? Mas o TMO já resolveu isso, tenho certeza! Eu fico perguntando porque tinha que ser assim, dificil, doendo meu corpo.... Eu não sei porque mas algum motivo deve ter. Como você me fala sempre, mamãe, o que não posso é desistir de tudo agora, né?".........

É!

Que dizer além disso, me digam?!?!.....

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Enzimas do fígado seguem baixando

Mais uma vez, os exames de sangue do Lucca, colhidos hoje de manhã, trouxeram resultados bastante animadores. Os índices de TGP, TGO, Fosfatase Alcalina e DHL estão muito melhores (veja tabela abaixo). Apenas o Gama-GT voltou a subir, mas os médicos entendem que essa elevação isolada é menos preocupante.

O estado geral de disposição dele também é ainda melhor hoje. Ainda que, no meio da manhã, ele tenha tido mais um pico acentuado de febre, uma febre alta de novo, que chegou a 39oC. Isso lhe desanimou um tanto. Também ficou relativamente assustado quando teve náuseas e começou a vomitar. Porque ele vomitou sangue puro, não sangue vivo, mas coagulado.

Segundo a Dra Juliana Folloni, isso deve ter ocorrido em função de Lucca estar com plaquetas baixas (hoje ele amanheceu com um total de 16.000/mm3). E isso leva à ocorrências desses sangramentos no estômago -- algo que já havia sido diagnosticado (a última endoscopia mostrou mesmo que Lucca está com uma gastrite leve.

Também pode haver um pouquinho de GVHD no estômago e/ou intestino, a exemplo do que está acontecendo com o fígado.

Bom, depois de uma boa soneca que Lucca tirou das 10h às 12h, ele acordou muito mais bem disposto, de novo, graças a Deus!

domingo, 26 de julho de 2009

Enzimas do fígado baixaram bem hoje!

Eu mal podia esperar pra receber os resultados dos exames de sangue colhidos às 6h30 da manhã. A ansiedade por saber como estavam as contaens sanguíneas e, principalmente, as enzinmas do fígado, era enorme.

Por volta de 9h veio a boa notícia: graças a deus os resultados dos testes de PCR, DHL, TGO, TGP, Bilirrubina e Fosfatase Alcalina diminuiram todos em relação aos dos dias anteriores. Ainda estão elevados se considerado o intervalo de normalidade, mas, ainda assim, é um motivo e tanto para comemorar. Afinal, isso pode ser um bom indício de que o novo tratamento (baseado na combinação de Cidofovir com Sirolimus com Ribavirina) está fazendo efeito e a infecção no fígado começa a desacelerar.

Apenas o exame de GamaGT aumentou em relação ao resultado anterior.

A determinação da atividade da GamaGT (gamaglutamiltransferase) é útil na avaliação das hepatopatias agudas e crônicas, estando a atividade enzimática elevada nos quadros de colestase intra ou extra-hepática. Os níveis de GamaGT também se elevam na doença hepática alcoólica aguda ou crônica e nas neoplasias primárias ou metastáticas. Essa enzima é a responsável por catalisar a transferência do ácido glutâmico de um peptídeo para outro, ligando-o sempre ao grupo gamacarboxílico. Essa enzima parece também facilitar a transferência transmembrana do ácido glutâmico.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lucca está com uma hepatite viral

Prá minha felicidade, quem o acompanhará neste caso é a hepatologista infantil, Dra Gilda Porta

Alguns novos fatores aparecem ao longo do caminho e, com eles, algumas dúvidas. O parecer anterior para a biópsia de fígado reallizada no Lucca -- que dizia que a infecção que desencadeou o processo de debilitação no Lucca é no fígado, e que o agente causador dessa infecção é o adenovírus --, dado diretamente ao Dr Nelson Hamerschlak dias atrás, foi revisado.

O laudo final impresso, assinado pela Dra Regina Leitão, fala em "hepatite aguda viral e GVHD ou DECH) em fase ductopênica". Em nota, acrescenta: "devido ao padrão de necrose e às alterações observadas nos fragmentos hepáticos colhidos, sugerimos considerar as possibilidades de infecção pelo citomegalovírus (CMV) ou pelo adenovírus (ADV)".

De qualquer forma, com os achados nos exames de sangue, de imagem e nos anatomopatógicos (biópsia), não há dúvida de que o problema do Lucca está no fígado. De que ele está com hepatite, embora ainda não se saiba de que tipo exatamente.

Eu já tinha isso como uma 'pulga atrás da orelha' há algum tempo. Insisti muito, desde junho, para que os médicos solicitassem exames de investigação para hepatites virais, até por conta de tantas transfusões de sangue que Lucca recebe.

As enzimas hepáticas em franca ascensão diária me preocupava a cada novo resultado. Quando vi ontem que os exames tinham subido de novo, e expressivamente, não pensei duas vezes: procurei três super especialistas em fígado, em quem confio muito: Dr Raymundo Paraná, Dr Hugo Cheinquer e Dr Mário Pessoa, hepatologistas de renome internacional que tive a felicidade e a honra de conhecer na época em que trabalhei na Bristol na área de hepatite viral. Já naquela época, eles haviam me recomendado e falado muito bem da Dra Gilda Porta, que é a maior especialista pediátrica no estudo, tratamento e transplante de fígado do Brasil.

Ontem mesmo conversei sobre ela com a Dra Juliana, que me disse que a equipe já a havia acionado para compor o grupo que acompanha e discute o tratamento do Lucca. Fiquei realmente muito feliz com isso. Tenho grande confiança nela.

Esperei o dia todo por sua visita, cheia de ansiedade. Ela avisou mesmo que demoraria mais que o previsto pra chegar por conta de procedimentos nos quais esteve envolvida. E, para minha surpresa, há meia hora atrás ela entrou aqui. Pode parecer bobagem, mas vê-la entrando me comoveu. Franca dedicação. Indiscutível comprometimento. Sem falar do carinho e gentileza com que examinou o Lucca. E da clareza, propriedade e firmeza com que indicou os passos a seguir daqui prá frente.

Ela foi taxativa: Lucca não está doente por conta da adrenoleucodistrofia nem por conta da medula em si. "Ele está doente do fígado, com uma infecção aguda mas reversível. O que precisamos é tratar do órgão imediatamente", disse. E me tirou dos olhos a nuvem de fumaça que deixava tanta confusão, tanto medo do que iria acontecer.

Mais uma vez, tenho a felicidade inenarrável, sem preço e sem precedentes, de ter meu filho sendo cuidado por alguém que realmente domina o assunto em questão -- assim como aconteceu quando pude chegar ao Dr Fernando Kok (neurologista, o maior especialista em X-ALD do país e um dos mais respeitados do mundo), ao Dr Durval Damiani (endocrinologista, por conta da Síndrome de Addison), e ao Dr Nelson Hamerschlak (hematologista, coordenador do serviço de TMO do Einstein, referência mundial na condução do procedimento).

Como primeiras orientações, a Dra Gilda solicitou aumento na dose de corticóide, para melhor controle desse GVHD detectado na biópsia do fígado, além de exames complementares para avaliar a função do fígado. Ela concorda com a intridução da ribavirina, para o tratamento do adenovírus.

O mais maravilhoso mesmo de tudo isso é que a disposição física do Lucca está muito melhorada. Diferente dos dias anteriores, hoje ele levantou da cama, ficou sentado por extensos períodos, deu risada, brincou e até me deixou filmar uma performance que ele fez para imitar os irmãos, cheio de caras, bocas e bom humor. Um fofo. Rimos muito, por dentro e por fora!

"Aguenta, coração!" - parte 124....

Brinco sempre que posso terminar de qualquer forma, mas que tenho certeza de que o coração está bom e que, de infarto, eu não morro. Afinal, provas de fogo pra chegar a essa conclusão, isso foi o que não faltou!!

Hoje à tarde, pela milhonésima vez talvez, passou por outro susto enorme: a enfermeira entra dizendo que Lucca passaria a tomar um novo medicamento: VIRAZOLE® (ribavirina). Mas eu já conhecia esse remédio. E por conta de ser um antiviral potente e muito indicado para o tratamento da hepatite viral C. Ninguém merece...........

Logo busquei no prontuário do Lucca as explicações que os médicos deixam registradas quando propõem alterações no esquema terapêutico. Pro meu alívio, a indicação do remédio foi feita pelo infectologista Dr Luis Fernando Aranha, já que há vários estudos clínicos que demonstram o bom resultado do tratamento do adenovírus com essa droga.

De qualquer forma, ainda não focaram prontos os exames finais, pelo método PCR, colhidos para investigar a presença de vírus A, B e C no fígado do Lucca.

Mas, ok, pensamento positivo sempre!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Leucos do Lucca voltam a subir

Mas inflamação no fígado ainda progride, segundo os exames que medem as enzimas hepáticas

Saiu agora o resultado do hemograma colhido hoje cedinho e, graças a Deus, veio com boas notícias: os leucócitos do Lucca subiram para 3.100/mm3. Há mais de uma semana que esses que são os glóbulos brancos, de defesa dele, não respondiam mesmo ao estímulo do Granulokine (medicamento que incentiva a produção de neutrófilos principalmente).

As plaquetas ainda não estão estáveis. Lucca vem recebendo transfusões diariamente para que o total se mantenha acima de 50.000/mm3 (ontem à tarde, logo depois de ter recebido a bolsa, registrou um total de 93.000/mm3 mas, segundo a amostra colhida de manhã, as plaquestas estão em 58.000/mm3).

Os demais exames de sangue que medem os eletrólitos (magnésio, potássio, sódio, cálcio etc.) estão dentro do intervalo de normalidade, bem como os testes de uréia e creatinina que estão associadas à função dos rins.

O que continua me preocupando são os resultados das enzimas hepáticas (TGP, TGO, Fosfase Alcalina e principalmente GamaGT -- esse último, por exemplo, não trouxe resultado numérico hoje e sim a indicação: "fora dos limites de normalidade").

Embora o exame de PCR tenha baixado de 128 para 83,4 mg/L, os números altíssimos para as enzimas descritas anteriormente são indícios fortes de uma piora no quadro de hepatite do Lucca (meu Deus.... hepatite?!?!?!..... uma outra área, além de TMO, com a qual trabalhei bastante na época da Bristol.... as informações que pude acumular sobre a doença, seus efeitos e riscos.... a chance que tive de conhecer os melhores médicos hepatologistas.... caramba.... mais um susto..... Ok, vamos em frente!).

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Primeiros resultados são normais para endoscopia e colonoscopia realizadas hoje

Hoje, no início da tarde, Lucca foi submetido a mais dois exames bastante invasivos: uma endoscopia e nova colonoscopia. Ao solicitar esses estudos, a equipe médica pretendia investigar mais a fundo e descartar outras hipóteses de patologias, além da decorrente da ação do adenovírus.

A principal hipótese que eles querem afastar é a de eventual presença de GVHD (Doença do Enxerto contra Hospedeiro, na sigla em inglês) no intestino e/ou no fígado do Lucca. Essa é uma informação ultra importante para que os hematologistas que o acompanham adotem com tranquilidade a orientação do infectologista Dr Luis Fernando Aranha -- de reduzir ao máximo a imunossupressão, isto é, diminuindo a dosagem de Rapamune (sirolimus) a fim de propiciar que o sistema imunológico do Lucca reaja o mais rapidamente possível. Além do tratamento medicamentoso para curá-lo do adenovirus, o mais importante nesse momento é que Lucca tenha restabelecido seu total de leucócitos, em especial de linfócitos.


Felizmente, um primeiro laudo indicou resultado normal para ambos. De qualquer forma, fragmentos do estômago e instetinos foram colhidos durante o procedimento (para isso, mais uma vez, Lucca foi sedado) e submetidos a biópsia.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Adenovírus é o causador da infecção que debilitou o Lucca e lesionou seu fígado

Acabaram de sair daqui do quarto a Dra Juliana Folloni e o infectologista Dr Luis Fernando Aranha Camargo. Eles vieram trazer o resultado final da biópsia que foi realizada no fígado do Lucca na semana passada.Em discussão com o Dr Nelson Hamerschlak ontem à noite, o patologista que estava avaliando os fragmentos coletados informou que o único 'bicho' identificado é o ADENOVÍRUS.

Sim, o quadro de febres seguidas e acentuadas, e a hepatite (infecção no fígado) que foram identificadas no organismo do Lucca são, segundo os médicos e os exames, decorrência da ação desse vírus -- que, na verdade, é identificado nas fezes e no sangue do Lucca desde logo depois do transplante (leia também Exame de fezes indica presença de adenovírus mas quadro geral do Lucca melhora a cada dia).

Como comentei numa outra vez, os Adenovirus compõem um grupo de vírus muito frequentes e comuns na população em geral. Uma significativa parcela das pessoas, mesmo absolutamente saudáveis, apresentam adenovírus ao longo da vida sem maiores complicações. As infecções por adenovírus afetam a todos mas são mais freqüentes em crianças.

Os adenovírus, que existem sob mais de 40 tipos diferentes, são extremamente resistentes e têm uma capacidade contagiosa maior nos primeiros dias da doença leve. Contudo, a excreção persistente e intermitente pode durar por períodos mais longos, chegando a meses.

Os efeitos que esse vírus causa no organismo humano são gastroenterites (com vômitos, diarréia, dor abdominal e náuseas), conjuntivite, faringite, pneumonia e outras infecções de vias respiratórias superiores. Em lactentes pequenos e pacientes imunodeprimidos ou imunocomprometidos, o adenovírus pode causar hepatite e uma infecção disseminada, com risco para a vida do doente se não tratada de forma aequada e precoce.

Diante disso, os médicos que acompanham o Lucca discutirão numa reunião multidisciplinar agora às 13h quais as alterações que serão efetuadas no esquema de tratamento dele. A proposta que o Dr Luis Fernando levará é a de descontinuar o máximo possível os medicamentos antibióticos que Lucca está recebendo, principalmente dos antifúngicos (já que se confirmou que não se trata de infecção por fungo), bem como diminuir a imunossupressão. Ele vê com muito bons olhos a alteração que a Dra Juliana vinha conduzindo de substituir o Prograf (tracolimus) pelo Rapamune (sirolimus). Isso porque, além de prevenir os efeitos pós-transplante, ele tem também potentes efeitos antivirais.

Desde que começou a avaliar o Lucca no início do mês de junho, o infectologista aposta que o quadro que Lucca vinha apresentando era causado por vírus na região abdominal (fígado e intestino principalmente).