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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Retransplante de fígado continua alvo de discussão entre especialistas

Estudos mostram que a necessidade de um retransplante de fígado tem uma incidência de 1 para cada 10-20 casos clínicos. E ela está associada a três tipos de situação:
  • quando o organismo rejeita o órgão transplantado e essa situação não pode pode ser revertida com medicações – situação considerada bastante rara pelo especialistas;
  • quando o novo fígado não funciona após o transplante – essa é uma situação de emergência, que requer retransplante em poucos dias;
  • quando há a obstrução causada por trombose da artéria que leva sangue ao fígado.

Uma pesquisa realizada pelo Dumont-UCLA Liver Transplant Center, Department of Surgery, UCLA School of Medicine, em Los Angeles, California, e publicada em 1997 no Annals of Surgery, demonstrou que o retransplante é a única opção terapêutica para pacientes que apresentem falha no fígado aloenxertado.

Apesar de salvar vidas em quase 50% dos pacientes, estudos anteriores mostraram uma piora na qualidade e nos índices de sobrevida do paciente após retransplante. Outro fator que se soma a essa discussão é o aspecto de custo, uma vez que o impacto econômico de um retransplante hepático é alto. Há também a questão da escassez de doadores de órgãos o que torna o processo mais ineficiente.

Um novo estudo sobre retransplante de fígado (re-LT) que teve duração de 15 anos e foi realizada em uma clínica na Alemanha, trouxeram novas perspectivas para o procedimento uma vez que demonstrou menor incidência de rejeição e complicações pós-retransplante.

Especialistas acreditam que a tendência positiva pode estar relacionada à melhoria na gestão de cuidados intensivos e no uso de imunossupressores, juntamente com a rápida tomada de decisões sobre quando efetuar o retransplante apesar da escassez de doadores de órgãos de qualidade.

Os resultados deste estudo aparecem na edição de fevereiro de 2007 Transplante de Fígado, a revista oficial da Associação Americana para o Estudo das Doenças do Fígado (AASLD) e da International Liver Transplantation Society (ILTS). A revista é publicada em nome das sociedades por John Wiley & Sons, Inc.

O trabalho volta a afirmar que o transplante de fígado é um procedimento considerado de grande sucesso especialmente nas últimas duas décadas – o que, infelizmente, ainda não se pode dizer do retransplante. Infecções pós-cirúrgicas, insuficiência de múltiplos órgãos, complicações hemorrágicas, recorrência da doença subjacente e rejeições crônicas são os principais motivos identificados.

Os achados desse trabalho alemão, coordenado pelo Dr Robert Pfitzmann, MD Charité de Virchow Clinic, em Berlim, na Alemanha, levaram a várias medidas terapêuticas, incluindo a redução mais precoce da dose de imunossupressores, administração de medicamentos para melhorar a função renal, transfusões iniciais de sangue, e melhorias contínuas na gestão de cuidados intensivos. A equipe de estudiosos observou que as complicações mais importantes que culmiram em morte do paciente foram as infecções bacterianas com complicações sépticas – o que chama a atenção para uma série de medidas de prevenção que podem ser tomadas. Apesar de terem alcançado bons resultados, eles concluem que "são necessários progressos e melhorias no tratamento de pacientes retransplantados para aumentar as chances de sobrevida pós re-LT

Há maior morbidade e mortalidade associadas com o retransplante, no entanto , atualmente, 4% dos pacientes indicados para transplante de fígado são candidatos a retransplante com nenhuma outra opção.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Fígado: Mais sobre os exames de TGP e TGO

Como digo sempre, o Blog da Lu tem caráter informativo. As postagens relacionadas à saúde e medicina são fruto de um trabalho jornalístico que ouve experientes profissionais nas referidas áreas mencionadas. O objetivo maior é compartilhar conhecimento e, principalmente, alertar para a importância de manter uma vida saudável, de consultar um médico com regularidade e de não ingerir medicamentos que exigem prescrição sem a orientação de um especialista.

Contudo, um dos posts que já lancei aqui é está entre os mais comentados/visitados, é o que fala do TGP e do TGO. São recorrentes as mensagens querendo saber mais sobre esses marcadores e, principalmente, o que representam para o organismo alterações nos resultados dos exames que os medem.

Vamos recapitular:
TGP e TGO são indicadores sensíveis de dano hepático em diferentes tipos de doenças.

Conhecida também como ALT (Alanina Aminotransferase, a Transaminase Glutâmico Pirúvica (TGP) é encontrada em altas concentrações apenas no citoplasma do fígado. Segundo as convenções médicas internacionais, são considerados valores normais: até 31U/L (mulheres) e 41 U/L (homens). Um aumento nesses seus valores seria, em tese, um indicativo de que pode haver uma lesão hepática.

Já a Transaminase Glutâmico Oxaloacética (TGO), também chamada de AST (Aspartato Aminotransferase), é encontrada em altas concentrações no citoplasma e nas mitocôndrias do fígado, músculos esquelético e cardíaco, rins, pâncreas e glóbulos vermelhos. Quando qualquer um desses tecidos é danificado, a TGO é liberada no sangue. Os valores considerados normais são: até 31 U/L (mulheres) e 37 U/L (homens).

A elevação absoluta das aminotransferases tem grande significado diagnóstico, e não prognóstico, nas hepatopatias agudas. A causa mais comum para moderadas elevações dessas enzimas é o fígado gorduroso (esteatose), que, por sua vez, pode ser decorrência de abuso de álcool, diabetes e obesidade.

Mas deve ser enfatizado que ter níveis mais altos que o normal dessas enzimas não indica, necessariamente, que há uma doença estabelecida. Médicos hepatologistas são os mais indicados para analisar e interpretar corretamente eventuais níveis elevados de TGO e TGP.


Há dois outros exames que ajudam a identificar possíveis lesões nas células do fígado. O teste GamaGT busca lesões nos ductos biliares, já que GGT é uma enzima marcadora de colestase, isto é, quando há acúmulo de bile no sistema hepático. Esse acúmulo pode ser decorrente de uma obstrução das vias biliares devido à presença de cálculos; ou mesmo em uma hepatite, quando a função do figado fica prejudicada. Outro exame importante é o que mede a dosagem das bilirrubinas, já que avalia ao mesmo tempo lesão hepatocelular, fluxo biliar e função de síntese do fígado.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Lucca troca catéter pela terceira vez

Hoje de manhã, Lucca voltou ao centro cirúrgico para uma nova troca de catéter*. Dessa vez, foi porque os médicos suspeitavam de que ali poderia haver algum foco de infecção, baseados principalmente em alguns quadros de febre mais altas que ele fez nos últimos dias.

A equipe chegou a falar na presença de bactérias no sangue, evento conhecido como bacteremia e que é geralmente diagnosticado por cultura de sangue -- na qual uma amostra do sangue é incubada em um meio que promova o crescimento bacteriano. Se há bactérias na corrente sanguínea no momento em que a amostra é coletada, elas vão se multiplicar no meio e poderão ser então detectadas.

Todas as hemoculturas colhidas do catéter temporário anterior (que Lucca colocou em substituição ao catéter de Hickman que estourou) vieram negativas, isto é, não foi identificada bacteremia laboratorialmente. Também não foram verificados sinais de vegetação (infecção) na ponta interna do catéter nos vários ecocardiogramas realizados, inclusive no que foi feito ontem pela manhã.

Mesmo assim, por precaução, a Dra Andreza Feitosa, da equipe do Dr Nelson Hamerschlak, optou pela substituição.

Sempre preferi mesmo que os médicos agissem de forma preventiva no tratamento pós-TMO do Lucca. Contudo, não há como negar: essa troca de hoje eu autorizei com grande dor no coração. Por conta do aspecto emocional do Lucca, do quanto ele está debilitado, do quanto ele não queria que mexessem mais em seu corpo de forma invasiva.... Ele fala sempre que não aguenta mais, fisicamente, ir pro centro cirúrgico.....

Acredito muito, na verdade, me recuso a duvidar de que tudo ficará bem, que Lucca se restabelecerá em breve. Porque não é possível que tenhamos tido a enorme sorte (porque não há outra palavra!) de diagnosticar a adrenoleucodistrofia do Lucca tão cedo, quase um ano antes de quando ele viria a apresentar os primeiros sintomas.... Tudo isso, a tempo de ele ter no TMO uma alternativa efetiva (mais tarde, nem mais o TMO seria eficaz ou sequer indicado...)... Prá que? Prá não dar certo???

DE JEITO ALGUM! Vai dar certo! Não porque eu queira, mas porque ele merece isso.






*catéter: tubo fino e flexível, inserido em um ducto ou vaso (cateter vascular), possibilitando a drenagem ou injeção de fluidos ou o acesso a instrumentos cirúrgicos.

domingo, 2 de agosto de 2009

Domingo de sono...

Peço desculpas por vir atualizar o blog tão tarde hoje mas, foi inevitável: eu acabei pegando no sono agora à tarde depois de mais um dia difícil e de duas noites sem dormir. A última, de ontem prá hoje, sem dormir nada mesmo. Porque Lucca vomitou muito. Nessa madrugada, por exemplo, em intervalos não maiores do que uma hora. E, entre esses episódios nada confortáveis prá ele, ainda houve vários pedidos de "mamãe... xixi".

Resultado, nós dois estamos fisicamente muito cansados. Ele, nem se fala. O cansaço pelas noites mal dormidas, pelo desgaste físico, pelas febres que não o largam, pela dor nas costas que acaba tendo de ter ficado a maior parte do tempo deitado. Principalmente, cansado de ficar aqui no hospital, de fazer tudo que todos lhe pedimos e de não ver melhora -- como ele tem repetido.

Eu, por minha vez, bem esgotada. De corpo. De alma. De ver as coisas não melhorarem efetivamente. De ter de assistir quase que de braços atados esse quadro do meu filho.

Ok, sou forte (aprendi a ser, sei lá...), tenho fé, acredito que tudo vai dar certo (E vai!!!!), sempre procuro ver o lado cheio do copo. Mas, confesso sem vergonha: não está sendo muito fácil prá mim...

Choro, choro mesmo. Às vezes, me desespero até. Quando 'o bicho pega' mesmo, invento um banho e choro lá, baixinho, debaixo d'água. Pra voltar pro lado do Lucca renovada e, assim, poder dar-lhe o conforto e a segurança que ele mais do que merece.

O quadro dele é grave, impossível negar. Os médicos também não negam. É visível. Mas há bons indícios, sopros de esperança que faço questão de torná-los furacões. Os exames mostram que a hepatite viral está regredindo (TGO e TGP continuam caindo e começam a chegar a níveis aceitáveis, mesmo ainda acima dos valores de normalidade). A função do fígado também está preservada, como mostram exames como os chamados Fator V e Fator VII. E isso é motivo de grande alívio, já que o principal risco seria Lucca ter uma falência hepática -- isto é, a perda do fígado.

O quadro permanece agravado, contudo, principalmente pelo avanço da GVHD (doença do enxerto contra hospedeiro, na sigla em inglês) no fígado -- que parece ter sido deflagrada no organismo dele depois da agressiva ação do adenovírus e da consequente ocorrência da hepatite. E, ao que tudo indica, ele também deve estar com GVHD no intestino, o que explicaria os contínuos vômitos com sangue que ele vem fazendo. Quer dizer: que vinha.

Sim, Lucca passou a noite toda vomitando mas, graças a Deus, o último episódio desses foi por volta de 8h da manhã. Depois disso e até agora, não voltou a vomitar.... Ufa...

O tratamento para matar o adenovírus e também um novo pra cessar o avanço do GVHD estão em curso, esse últmo há menos de 24 horas. É cedo, portanto, para conclusões.

É tempo, contudo, de renovar as esperanças e acreditar que em uma semana teremos um novo cenário, muito melhorado, muito mais estável, muito mais tranquilo -- principalmente pro próprio Lucca, que só quer poder brincar livre de novo......

Ser eu não me apegar a isso, acabo pirando.....
Quero só pensar positivo!

Tudo vai dar certo. Tem que dar. Já está dando, né?!?!?!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Coração apertado....Tarde difícil.....

Depois de trabalhar ontem e hoje pela manhã, voltei pro hospital por volta das 13h desta sexta-feira. E digo de coração: tive um dos choques mais expressivos dos últimos tempos.... Me deparei com o Lucca deitado, um pouco trêmulo, com os olhos fundos e amarelados, com a pele muuuuuuuito amarela. Um aspecto físico, enfim, todo muito enfraquecido, debilitado.

Os lábios dele também estão bastante machucados, mais do que estavam. Muito ressecados, se abrem em fissuras que começam a sangrar ao menor movimento que ele faça com a boca. Sobram disso feridas escuras, algo nada muito bonito de se ver....

Não estou aqui fazendo essas descrições em detalhes na intenção de chocar ou de nos vitimizar. O objetivo maior é dividir um pouco dessas experiências que nos vemos obrigados a viver depois do transplante de medula óssea.

Sim, porque, no fundo, tudo que está acontecendo, de certa forma, está intimamente ligada ao TMO -- Lucca está muito mais suscetível à ocorrência de infecções porque a imunidade dele ainda não está plenamente restabelecida, ainda está suprimida.

E, o mais complexo: hoje Lucca vivencia uma situação que é uma bola de neve! Como comentei antes, os últimos exames confirmaram que a hepatite viral dele foi causada pelo Adenovírus. Mas ele também está com um pouco de GVHD (Doença do Enxerto Contra Hospedeiro, na sigla em inglês) no fígado.

GVHD em geral se trata com corticóides mas esses medicamentos mexeram um poucona pressão sanguínea do Lucca, elevando-a. Assim, a Dra Gilda Porta, hepatologista infantil que está apoiando a equipe do Dr Nelson no tratamento do fígado do Lucca, prescreve a introdução de um novo diurético (Aldactone) que atuará influenciando num maior controle sobre a pressão, e também o Daclizumabe --- esse que, por sua vez, deixará Lucca ainda mais imunossuprimido e, portanto, ainda mais suscetível a infecções, apesar do cidofovir e dos outros antibióticos que ele continua tomando.

Típica situação para aquela frase popular que diz: "Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come!....". Mas ok, vamos em frente. Não tenho dúvida de que a equipe médica está cuidando com toda atenção desse quadro do Lucca que, sem sombra de dúvida, atualmente, está bastante agravado. Seu estado é de grande atenção.

O que conforta a todos é seus momentos de super boa disposição, a capacidade preservada para realizar eventuais atividades, a despeito de tantos desconfortos, tantos sustos...

Mas há algo que corrói por dentro, especialmente a mim: quando ele chora, copiosamente... repete que não entende porque tudo isso está lhe acontecendo. Diz que gostaria de poder ver Deus para lhe fazer uma única pergunta: "Por que existem as doenças? Seria tão mais legal se não existisse doença no mundo, mamãe...".

E, se pudese fazer mais de uma, ele questionaria também: "Por que as pessoas ficam doentes? Por que eu tenho que continuar aqui ainda por tanto tempo? Por que as coisas estão assim difíceis, demoradas para se resolver...?". "Porque, mamãe", acrescentou ele, "eu não vejo a hora da gente voltar prá nossa casa. De eu poder ficar lá sem catéter, sem nada. De chegar o momento em que nem mais pro ambulatório aqui do hospital eu precise voltar...".

Às vezes, em momentos que ele se sente mais frágil, mais emocionalmente abalado, ele questiona por que teve de fazer o transplante. Chora, reage com angústia, com uma certa revolta até. Deixo-o falar, desabafar, colocar prá fora qualquer angústia que ele sinta (por favor: isso pe mais do que compreensível. Como dio sempre, acho que ele reage bem demais, muito melhor do que muito adulto barbado, a tudo que está lhe acontecendo).

Nessas horas, só faço abraçá-lo forte, firme, como se eu pudesse tomar prá mim qualquer coisa que o aflija.... muitas vezes, não consigo segurar e choro junto com ele.... Depois, quando ele está mais calmo, sugiro que conversemos um pouquinho sobre tudo que está acontecendo -- e que ele entende bem demais prá idade que tem!

Hoje, por exemplo, repeti a ele que daria minha vida se possível fosse prá que ele pudesse restabelecer sua vida normal, antes da adreno, antes do TMO, antes de todas estas infecções que o debilitam tanto.... Digo também que sei que é tudo muito difícil, dolorido, chato, mas que é por uma causa mais do que nobre. Que devemos sempre pensar que, graças a deus, tínhamos o transplante pra fazer. Imagina se não tivessemos?..... Não! Me recuso sequer a imaginar!

Como sempre, ele fechou a conversa com chave de ouro, com uma jogada de mestre, de vencedor mesmo: "é, mamãe, eu sei que é legal poder fazer o TMO pra eu não ter adreno de verdade. Assim, tá, eu tinha adreno, entende? Mas o TMO já resolveu isso, tenho certeza! Eu fico perguntando porque tinha que ser assim, dificil, doendo meu corpo.... Eu não sei porque mas algum motivo deve ter. Como você me fala sempre, mamãe, o que não posso é desistir de tudo agora, né?".........

É!

Que dizer além disso, me digam?!?!.....

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mesmo depois da cauterização no estômago, Lucca volta a vomitar sangue

O final do dia de ontem foi super tranquilo para o Lucca. Desde que voltou da endoscopia, ele estava disposto, sem referir dores ou náuseas. Assistiu a bendita sessão da tarde, "Bruxinhas 2", que ele tanto queria (rsrs....) e, cada um quem entrava para vê-lo, para limpar o quarto, trocar as toalhas, trazer sua alimentação ou algum medicamento, para todos, ele queria mostrar, orgulhoso, a vara de pescar que ganhou no final de semana.

Assim foi até por volta de 11h da noite quando, então, voltou a sentir muito desconforto abdominal, a ponto de chorar de dor. Logo depois, vomitou, com bastante sangue de novo. E o mesmo aconteceu no finzinho da madrugada, lá pelas 5h da manhã.

Depois disso, não conseguiu dormir mais. Pra completar, estava também com uma forte dor na coluna por ter ficado curvado, como que em psição fetal, por estar se contorcendo todo. Foi de cortar o coração!

Agora às 8h, Dr Luis Fernando Aranha, infectologista que o acompanha, veio vê-lo trazendo a boa notícia de que os exames hepáticos (TGP, TGO etc.) continuam caindo. E que ele não vê motivo de mudar ou introduzir novos antibióticos apesar dos picos de febre que Lucca cotinua fazendo. Porque isso poderia comprometer o tratamento do adenovírus -- que está sendo feito à base de cidofovir + sirolimus + ribavirina.

Comentei com ele que o sangue nas fezes cessou mas que ainda persiste na urina. Ele nos tranquilizou dizendo que é porque o BK-vírus continua se replicando. Mas que há como fator positivo o fato de que o sangramento hoje é menos acentuado, assim como os coágulos são cada vez menores e menos comuns.

Quanto ao vômito com sangue ainda, mesmo depois da cauterização feita na endoscopia de ontem, ele acredita que pode algum resquício que estivesse no estômago. Pretende discutir com Dr Nelson Hamerschlak a idéia de repetir a ressonância magnética no abdômen -- para ver como evoluiu o quadro do fígado principalmente. Ele não refaria a endoscopia nesse momento a não ser que os vômitos continuem ao longo do dia.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Lucca volta a vomitar sangue agora à noite

Por volta das 7h30 da noite, Lucca voltou a referir desconforto abdominal e um pouco de náuseas. Ficou cerca de meia hora se revirando na cama, reclamando de dor na barriga até que se levantou e pediu pra vomitar. Vomitou bastante, com sangue de novo, e, dessa vez, um sangue menos coagulado e mais vivo.

Desde de manhã, a orientação do Dr Nelson Hamerschlak foi a de fazer transfusões de plaquetas de 12 em 12 horas. Contudo, com esse quadro de agora há pouco, a equipe decidiu pela repetição do exame de endoscopia sob a coordenação do Dr Manoel Ernesto novamente.

No primeiro exame, realizado na semana passada, o laudo não indicou sinais de lesão mais séria no aparelho digestivo, somente no fígado mesmo. Falou-se contudo em uma gastrite -- que, os médicos acreditam que seja decorrência do uso contínuo de tantos medicamentos.

Conversando hoje com a Dra Juliana Folloni, ela comentou que o sangramento pode vir a ser também sinal de uma leve ação de GVHD no estômago ou intestino.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Está confirmado: não foram encontradas bactérias nos fragmentos de fígado biopsiados

Foi liberado agora de manhã o resultado final do exame de cultura realizado nos fragmentos do fígado do Lucca colhidos na última sexta-feira, dia 17. Segundo laudo, assinado pela farmacêutica Cristiane Mika Fujii, não foram visualizadas bactérias nas amostras estudadas.

O que isso quer dizer? Quer dizer que a alteração hepática verificada no Lucca (segundo exame de PET Scan da semana passada e exames de sangue que mediram as enzimas do fígado) não é decorrência de infecção bacteriana. Os médicos continuam apostando em ação fúngica como a causadora dessa hepatite que ele está.

Mantém o tratamento com os medicamentos antes introduzidos e aguardam, ansiosos, pelo resultado complementar da biópsia para a pesquisa de fungos.


O que é um exame de cultura?
O exame de cultura consiste no cultivo de agentes infecciosos em meio próprio (substância líquida ou sólida) que permite a nutrição, o crescimento e a multiplicação de microorganismos.
O resultado negativo de uma cultura for negativo não significa obrigatoriamente que não exista infecção, porque há vários fatores que podem mascarar o quadro, como o uso de antibióticos, por exemplo. O médico é a pessoa mais habilitada para avaliar o resultado do exame e, baseado em um conjunto de dados, afirmar qual é o diagnóstico.

Esse tipo de exame nunca fica pronto no mesmo dia. Pode levar de 3 a 7 dias para er sua liberação final. Isso porque as bactérias precisam de um tempo para crescerem o suficiente e poderem ser identificadas. Por isso aplica-se o termo “cultura” (cultivar o material coletado e aguardar o crescimento de alguma bactéria). Este tempo é muito variado, dependendo do tipo de bactéria pesquisada e do local onde foi realizada a coleta.

domingo, 19 de julho de 2009

Entendendo o que é Ascite

Ascite é o termo clínico utilizado para definir o acúmulo de líquido livre na cavidade abdominal, popularmente conhecida como "barriga d’água". Pacientes que emagrecem muito em função de alguma patologia e/ou tratamento mas mantém uma barriga enorme, toda distendida, têm grande probabilidade de estarem com ascite. Esse é o caso do Lucca...

Duas são as causas principais para desencadear esse quadro:

  • o não funcionamento adequado do fígado (o que prejudica a síntese de albumina -- uma proteína muito importante para o organismo e que circula pelo sangue);
  • a hipertensão venosa portal (a veia porta é a que leva para o fígado todo sangue que passou pelo sistema digestivo, transportando as matérias-primas sobre as quais o fígado atua. Essa veia pode apresentar pressão alta localizada, o que impede a chegada dos nutrientes ao fígado).
Os especialistas explicam que esses dois fatores rompem o equilíbrio do organismo, fazendo com que saia da cavidade abdominal menos líquido do que entra.


Função da albumina
A albumina é a proteína do fígado que faz com que o sangue mantenha suas características normais. Ela age ‘sugando’ o líquido livre para a circulação (pressão osmótica). Sem albumina, o líquido livre extravasa para os tecidos, e a circulação sangüínea, com menos volume, faz com que os rins retenham cada vez mais água, acarretando um círculo vicioso. Dependendo do caso, pode ser necessária uma reposição de albumina para evitar o agravamento ainda maior do quadro geral de saúde.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Para que servem os exames de TGP, TGO, Gama-GT e Bilirrubina Total?

Há diversas avaliações laboratoriais bioquímicas e clínicas realizadas para fornecer informação sobre o estado do fígado de um paciente. O diagnóstico precoce de eventuais doenças hepáticas é fundamental principalmente se considerarmos que o fígado é o órgão do corpo humano que mais aguenta lesões sem manifestar sinais aparentes. A grande maioria dessas lesões causam inicialmente poucos e leves sintomas e, quando eles aparecem, geralmente o fígado já está demasiadamente comprometido.

Exames de TGO e TGP são realizados para identificar possíveis lesões nos hepatócitos, que são as células do fígado. Já o teste GamaGT busca lesões nos ductos biliares, já que GGT é uma enzima marcadora de colestase, isto é, quando há acúmulo de bile no sistema hepático. Esse acúmulo pode ser decorrente de uma obstrução das vias biliares devido à presença de cálculos; ou mesmo em uma hepatite, quando a função do figado fica prejudicada. assim, Outro exame importante é o que mede a dosagem das bilirrubinas, já que avalia ao mesmo tempo lesão hepatocelular, fluxo biliar e função de síntese do fígado.


Saiba mais....

Transaminase Glutâmico Oxaloacética (TGO)
Também chamada de aspartato aminotransferase (AST), é encontrada em altas concentrações no citoplasma e nas mitocôndrias do fígado, músculos esquelético e cardíaco, rins, pâncreas e eritrócitos (glóbulos vermelhos). Quando qualquer um desses tecidos é danificado, a TGO é liberada no sangue.
valores normais: até 31 U/L (mulheres) e 37 U/L (homens)

Transaminase Glutâmico Pirúvica (TGP)
Conhecida ainda como alanina aminotransferase (ALT), é encontrada em altas concentrações apenas no citoplasma do fígado, o que torna o seu aumento mais específico de lesão hepática. No entanto, pode estar aumentada em conjunto com a AST em doenças musculares severas.
valores normais: até 31 U/L (mulheres) e 41 U/L (homens)

Gama glutamiltransferase (GGT)
É uma enzima encontrada em grande quantidade no fígado, rins, pâncreas, intestino e próstata, mas também está presente em vários outros tecidos. Apesar de elevações muito grandes estarem associadas principalmente a obstrução biliar e a câncer primário ou secundário do fígado, alterações menores são poucos específicas de doenças do fígado. Cerca de 15% das pessoas têm a GGT acima dos valores considerados normais sem a presença de qualquer doença. Elevações da GGT também podem estar associadas, sem nenhum significado patológico, ao uso de álcool e de algumas medicações.
valores normais: 8 a 41 U/L (mulheres) e 12 a 73 U/L (homens)

Bilirrubina total (TBIL)
Bilirrubina é um produto da quebra do heme (que é uma parte da hemoglobina nas hemácias). O fígado é responsável por limpar a bilirrubina do sangue. O aumento da bilirrubina total causa icterícia (visível pelo amarelamento de pele) e pode ser um sinal de diversos problemas tais como anemias hemolíticas, hemorragia interna, cirrose, hepatite viral, obstrução dos ductos biliares, por câncer ou pedras na vesícula biliar.
valores normais em adultos (bilirrubina total): 0,1 a 1,0 mg/dL



SOBRE O FÍGADO


O fígado é a maior glândula do corpo humano. Está localizado no canto direito superior do abdôme, sob o diafragma. Seu peso aproximado é cerca de 1,5kg no homem adulto e um pouco menos na mulher. Em crianças é proporcionalmente maior, pois constitui 1/20 do peso total de um recém-nascido. Na primeira infância é um órgão tão grande, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas, ao lado direito. Funciona como glândula exócrina, isto é, libera secreções em sistema de canais que se abrem numa superfície externa. Atua também como glândula endócrina, uma vez que também libera substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos.

Funções Vasculares
• O fígado pode se expandir em tamanho para armazenar volume de sangue em excesso
• O sangue que flui através dos sinusóides é filtrado de bactérias
• O fígado forma a maioria das substâncias utilizadas na coagulação sanguínea

Funções de Armazenamento de Vitaminas e de Ferro
• Armazena diversas vitaminas, incluindo as vitaminas D, A e B12, prevenindo deficiências
• Grande parte do ferro do corpo é armazenada no fígado na forma de ferritina

Funções de Secreção e de Excreção
• Produz a bile, que neutraliza os sucos gástricos e auxilia na absorção de lípides
• A bilirrubina pode ser dosada para avaliar doenças sangüíneas e distúrbios hepáticos


Toxicidade no fígado
A hepatotoxicidade é um dano no fígado causado por substâncias químicas chamadas hepatotoxinas. Pode ser um efeito colateral de certos medicamentos, mas também pode ser causado por produtos químicos usados em laboratórios ou indústria, e substâncias químicas naturais, como as microcistinas.

Estudos clínicos demonstraram que o medicamento paracetamol (cuja marca de referência é o Tylenol), quando usado em altas doses, pode causar hepatotoxicidade em alguns pacientes. Em adultos e adolescentes, pode ocorrer hepatotoxicidade após a ingestão de mais que 7,5 a 10g em um período de 8 horas ou menos. Fatalidades não são frequentes (menos de 3 a 4% de todos os casos não são passíveis de tratamento).