Médicos aguardam avaliação complementar da biópsia realizada durante o exame de ontem, mas já dão início ao tratamento de outra suspeita, a da ação do vírus Epstein-Baar
Depois de mais de 15 horas de preparo -- entre tomar laxantes por via oral e fazer duas lavagens no instestino --, Lucca foi submetido ontem no início da tarde de ontem a um exame de colonoscopia. Os médicos suspeitavam que a causa das febres altas associadas à diarréia e distenção de abdômen pudesse ser uma colite (infecção no cólon, ou intestino) -- leia também Colite é uma das suspeitas de ser a causadora das febres altas e diarréias no Lucca.
Felizmente, o resultado do exame foi normal. Nada que confirme essa suspeita foi detectado até o momento. Contudo, durante a avaliação, foram retiradas micro-partes das peredes intestinais para biópsia. A biópsia é um procedimento cirúrgico no qual se colhe uma amostra de tecidos ou células para posterior estudo em laboratório. Esse estudo permite identificar fatores bastantes detalhados tais como a evolução de determinada doença crônica.
Nova terapia medicamentosa
O resultado das biópsias feitas neste terça-feira no cólon do Lucca ainda demora alguns dias para ficar pronto. De qualquer forma, desde já, Dr Nelson Hamerschlak fez uma alteração importante na conduta de tratamento dele, prescrevendo o MabThera® (rituximabe). Isso porque o especialista acha importante iniciar imediatamente o tratamento de uma possível ação do vírus Epstein-Baar no organismo do Lucca, que veio positivado no exame de sangue colhido em 08/6.
Lucca já era soropositivo para esse vírus antes do transplante, isto é, já havia tido algum contato com ele, porém o EBV estava inativo, 'adormecido' -- como ocorre na grande maioria da população. Mais de 90% das pessoas já tiveram contato com o EBV porém o sistema imunológico delas desenvolve anticorpos para combatê-lo e impedir que doenças causadas por ele se manisfestem. É comum, contudo, que o vírus volte a se manisfestar quando há uma supressão do sistema imunológico do paciente, que é o que acontece com o Lucca por conta do TMO.
Sobre a mononucleose
Considerada a mais comum dentre as causadas pelo vírus de Epstein-Baar, a mononucleose é uma doença infecciosa, contagiosa, que se segue à infecção dos linfócitos B (e das células do epitélio da orofaringe). Os linfócitos (que são um dos tipos de leucócitos -- células de defesa) infectados são "transformados" ou "imortalizados", e adquirem a capacidade de gerar linhagens contínuas in vitro, tal como certas células neoplásicas. Há proliferação linfóide generalizada, não só pelo estímulo viral, como também pelo aparecimento de linfócitos T CD8+ citotóxicos, empenhados na destruição dos linfócitos B infectados. O vírus determina também a diferenciação dos linfócitos B em plasmócitos e grande produção de anticorpos (gamopatia policlonal). Estas alterações se resolvem em pouco tempo, geralmente sem maiores conseqüências, embora a infecção pelo vírus causador persista por toda a vida do indivíduo, durante a qual a taxa de linfócitos transformados é mantida baixa pela imunidade.
Por que tratar Lucca com MabThera®
MabThera® é um anticorpo monoclonal que se liga especificamente ao antígeno transmembrana CD20. Este antígeno está localizado nos linfócitos pré-B e linfócitos B maduros, mas não em células progenitoras, células pró-B, células plasmáticas normais ou outros tecidos normais. Após a ligação do anticorpo, o antígeno CD20 não é introduzido na célula nem liberado da membrana celular para o ambiente. O antígeno CD20 não circula no plasma como antígeno livre e, portanto, não compete com a ligação de anticorpos. O que quer dizer que a doença estará controlada.
Esse é o mesmo medicamento que a ministra Dilma Roussef está tomando como parte do tratamento de Linfoma (uma doença que também afeta as os linfócitos B) que lhe foi diagnosticada semana trás.
Cada dose desse remédio, nem sempre disponível no SUS, custa até R$ 10 mil, e é considerado uma das maiores descobertas dos últimos tempos no que se diz respeito à chamada Target Therapy (ou terapia-alvo), já que ele é capaz de reconhecer uma molécula que fica na superfície das células doentes, destruindo-as especificamente e poupando as células saudáveis do organismo.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Lucca se prepara para uma colonoscopia amanhã cedinho
Está agendado para amanhã, às 7h, um exame de colonoscopia para avaliar os intestinos do Lucca. O exame é uma ferramenta importante na estratégia de investigação adotada pela equipe médica para buscar a causa das febres altas que acontecem há 8 dias (depois de 30h com temperatura absolutamente normal, meu pequeno voltou a apresentar picos de até 38,6oC, agora no final da tarde).
Os especialistas comemoraram hoje a confirmação de resultado negativo para a presença da bactéria Clostridium no organismo do Lucca, segundo exama de fezes colhido anteontem (leia também Colite é uma das suspeitas de ser a causadora das febres altas e diarréias no Lucca).
É sempre bom receber uma notícia dessas. Mas, ao mesmo tempo, volta a pergunta: E......?
Processo preparatório
Para o exame de amanhã, é necessário que o cólon (intestino) do Lucca esteja 100% limpo e sem resquiícios de alimentações feitas anteriormente. Assim, ele está tomando o medicamento laxante Muvinlax, que foi dissolvido em 1,5l de água. Isso fará com que o intestino dele funcione numa velocidade muito acima do normal até que as fezes dele estejam saindo com aspecto semelhante a da urina
Os especialistas comemoraram hoje a confirmação de resultado negativo para a presença da bactéria Clostridium no organismo do Lucca, segundo exama de fezes colhido anteontem (leia também Colite é uma das suspeitas de ser a causadora das febres altas e diarréias no Lucca).
É sempre bom receber uma notícia dessas. Mas, ao mesmo tempo, volta a pergunta: E......?
Processo preparatório
Para o exame de amanhã, é necessário que o cólon (intestino) do Lucca esteja 100% limpo e sem resquiícios de alimentações feitas anteriormente. Assim, ele está tomando o medicamento laxante Muvinlax, que foi dissolvido em 1,5l de água. Isso fará com que o intestino dele funcione numa velocidade muito acima do normal até que as fezes dele estejam saindo com aspecto semelhante a da urina
domingo, 14 de junho de 2009
Hoje faz uma semana que Lucca tem febre alta diariamente
Nessa última madrugada, a temperatura corpórea dele permaneceu entre 38,5oC e 39,5oC o tempo todo
Há exatamente uma semana, Lucca registra febres todos os dias. E não têm sido febres moderadas como ocorreram nas outras vezes que ele teve de ser reinternado. Agora, são registros comumente acima de 38,5oC, e que já chegaram a 39,6oC -- como nessa última noite.
Os médicos ainda não sabem dizer qual a razão desse quadro. Sabe-se que hpa uma infecção em curso e que está se agravando -- o exame de PCR mostrou isso: ontem o resultado foi de 194,8mg/dl e hoje subiu para 297,2mg/dl (lembrando que a faixa de normalidade é a que está compreendida entre 0,0 e 3,0mg/dl).
Lucca também fez um outro exame, chamado PCT -- ou Dosagem Quantitatva de Pró-Calcitonina. O resultado, que foi de 0,83 ng/ml, indica nível associado a resposta inflamatória sistêmica moderada.
Investigação
Como comentei antes, vários exames foram feitos e vieram negativos -- o que é um ótimo sinal por um lado mas que, por outro, só faz aumentar a ansiedade e a dúvida: de onde vem essa febre então?!?!?
Nesse momento, a equipe médica que acompanha o Lucca direciona sua linha de investigação para três locais específicos, sempre na tentativa de identificar o foco da infecção que estaria causando esse quadro crônico de febre nele: intestino, seios da face e catéter de Hickman. Para isso, alguns novos exames foram feitos de sexta-feira para cá:
Histórico
Como já falamos antes, processos infecciosos e reinternações são eventos esperados no período pós-transplante de medula óssea, em especial por conta da fragilidade que afeta o sistema imunológico do paciente até que a nova medula esteja funcionando em sua plenitude.
Lucca está na quarta reinternação. As três primeiras foram em decorrência de um único pico de febre em cada uma. Depois de hospitalizado e sob efeito dos medicamentos, ele não voltou a apresentar alteração de temperatura e, quatro ou cinco dias depois, estava apto a receber alta.
Dessa vez está sendo diferente. Bem diferente. Amanhã completamos duas semanas de internação. Um primeiro pico febril ocorreu no dia 01/6 e nos dias seguintes, o quadro estava se estabilizando. Ele quase teve alta. Mas no domingo passado voltou a registrar temperatura alta, quadro que permanece desde então.....
De ontem para hoje, ele teve febre alta a madrugada toda. E nada foi capaz de fazê-la baixar. Fiquei realmente preocupada, apreensiva. Não conseguia dormir. Passei a noite inteira sentada na cabeceira dele, com minha mão sobre a testa dele, e com o termômetro em punho. Por mais que eu soubesse que aquilo tudo pode ser esperado, o apero no coração parecia não reconhecer a mensagem da mesma forma. Foi uma madrugada de angústia inevitável.... Nada podia ter sido melhor naquela situação do que quando vi um 37,5oC no termômetro hoje de manhã, por volta das 8h.... Era o fim de uma noite longa, muuuito longa, e muito dolorida.
Há exatamente uma semana, Lucca registra febres todos os dias. E não têm sido febres moderadas como ocorreram nas outras vezes que ele teve de ser reinternado. Agora, são registros comumente acima de 38,5oC, e que já chegaram a 39,6oC -- como nessa última noite.
Os médicos ainda não sabem dizer qual a razão desse quadro. Sabe-se que hpa uma infecção em curso e que está se agravando -- o exame de PCR mostrou isso: ontem o resultado foi de 194,8mg/dl e hoje subiu para 297,2mg/dl (lembrando que a faixa de normalidade é a que está compreendida entre 0,0 e 3,0mg/dl).
Lucca também fez um outro exame, chamado PCT -- ou Dosagem Quantitatva de Pró-Calcitonina. O resultado, que foi de 0,83 ng/ml, indica nível associado a resposta inflamatória sistêmica moderada.
Investigação
Como comentei antes, vários exames foram feitos e vieram negativos -- o que é um ótimo sinal por um lado mas que, por outro, só faz aumentar a ansiedade e a dúvida: de onde vem essa febre então?!?!?
Nesse momento, a equipe médica que acompanha o Lucca direciona sua linha de investigação para três locais específicos, sempre na tentativa de identificar o foco da infecção que estaria causando esse quadro crônico de febre nele: intestino, seios da face e catéter de Hickman. Para isso, alguns novos exames foram feitos de sexta-feira para cá:
- exames de hemocultura em amostras de sangue retiradas pelo catéter, que vieram todos negativos -- afastando a possibilidade de infecção nesta via;
- exames de sangue específicos para detecção de vírus no organismo do Lucca -- na amostra coletada em 08/6, o vírus EBV (Epstein-Bahr), causador da mononucleose, veio positivado (exames anteriores feitos desde antes do TMO estavam negatiuvos inclusive o feito em 03/6);
- um ecocardiograma, espécie de ultrassonografia que monitora o coração, que não identificou a presença de focos de infecção no catéter que foi colocado no peito dele há 3 meses e por onde são colhidas amostras de sangue diariamente para os exames de rotina e acompanhamento, e são infundidos medicamentos endovenosos;
- uma ultrassonografia de abdômen que acusou espessamento em algumas alças intestinais que seriam indícios de uma colite (infecção no cólon); felizmente nenhum coágulo é percebido na bexiga (que poderia ser um efeito da presenção do BK-vírus positivado na semana passada).
Amanhã, os médicos da equipe do Dr Nelson Hamerschlak pretendem discutir com ele e com um time multidisciplinar -- que envolverá o infectologista Dr Luis Fernando Aranha e a otorrinolaringologista Dra Luici Hidal -- sobre o caso do Lucca e esse quadro de febres persistentes.
Histórico
Como já falamos antes, processos infecciosos e reinternações são eventos esperados no período pós-transplante de medula óssea, em especial por conta da fragilidade que afeta o sistema imunológico do paciente até que a nova medula esteja funcionando em sua plenitude.
Lucca está na quarta reinternação. As três primeiras foram em decorrência de um único pico de febre em cada uma. Depois de hospitalizado e sob efeito dos medicamentos, ele não voltou a apresentar alteração de temperatura e, quatro ou cinco dias depois, estava apto a receber alta.
Dessa vez está sendo diferente. Bem diferente. Amanhã completamos duas semanas de internação. Um primeiro pico febril ocorreu no dia 01/6 e nos dias seguintes, o quadro estava se estabilizando. Ele quase teve alta. Mas no domingo passado voltou a registrar temperatura alta, quadro que permanece desde então.....
De ontem para hoje, ele teve febre alta a madrugada toda. E nada foi capaz de fazê-la baixar. Fiquei realmente preocupada, apreensiva. Não conseguia dormir. Passei a noite inteira sentada na cabeceira dele, com minha mão sobre a testa dele, e com o termômetro em punho. Por mais que eu soubesse que aquilo tudo pode ser esperado, o apero no coração parecia não reconhecer a mensagem da mesma forma. Foi uma madrugada de angústia inevitável.... Nada podia ter sido melhor naquela situação do que quando vi um 37,5oC no termômetro hoje de manhã, por volta das 8h.... Era o fim de uma noite longa, muuuito longa, e muito dolorida.
Colite é uma das suspeitas de ser a causadora das febres altas e diarréias no Lucca
Colite é o nome dado à inflamação do intestino grosso, ou cólon. Pode ser causada pela ação de vírus ou bactérias, ou mesmo pelo uso de determinados antibióticos, resultando em diarréia aguda. A bactéria que causa problemas com maior frequência é o Clostridium difficile, que produz duas toxinas que podem danificar a mucosa do intestino grosso.
Lucca fez um primeiro exame de fezes, anteontem, que veio negativo para a presença do Clostridium. Mas, ontem, com o agravamento do quadro de diarréia, uma nova coleta foi feita e o exame ainda não está concluído.
Muitos são os antibióticos capazes de alterar a quantidade e/ou o equilíbrio entre os diferentes tipos de bactérias presente no intestino, permitindo que algumas bactérias causadoras de doenças passem a se multiplicar. Entre esses medicamentos, destacam-se a clindamicina, a ampicilina, as cefalosporinasas penicilinas, a eritromicina, o cloranfenicol, as tetraciclinas e o o trimetroprim-sulfametoxazol -- esse último que é o princípio ativo do Bactrim, que Lucca estava tomando três vezes por semana e que foi substituído na semana passada por uma dose mensal de Pentadimina.
Os sintomas -- que são diarréia, dor abdominal e febre -- começam habitualmente enquanto o paciente estpa recebendo esses antibióticos, contudo, especialistas alertam que, em 75 % dos casos, os sinais do efeito colateral surgem entre 1 e 10 dias depois da suspensão do tratamento. Em algumas pessoas, podem aparecer até depois de 6 semanas.
Enquanto os médicos realizam essa investigação e aguardam pelos resultados dos exames complementares, um novo medicamento já foi introduzido, de forma profilática, no esquema de tratamento do Lucca desde ontem. Trata-se do Flagil (metronidazol), bastante eficaz contra o Clostridium difficile.
Lucca fez um primeiro exame de fezes, anteontem, que veio negativo para a presença do Clostridium. Mas, ontem, com o agravamento do quadro de diarréia, uma nova coleta foi feita e o exame ainda não está concluído.
Muitos são os antibióticos capazes de alterar a quantidade e/ou o equilíbrio entre os diferentes tipos de bactérias presente no intestino, permitindo que algumas bactérias causadoras de doenças passem a se multiplicar. Entre esses medicamentos, destacam-se a clindamicina, a ampicilina, as cefalosporinasas penicilinas, a eritromicina, o cloranfenicol, as tetraciclinas e o o trimetroprim-sulfametoxazol -- esse último que é o princípio ativo do Bactrim, que Lucca estava tomando três vezes por semana e que foi substituído na semana passada por uma dose mensal de Pentadimina.
Os sintomas -- que são diarréia, dor abdominal e febre -- começam habitualmente enquanto o paciente estpa recebendo esses antibióticos, contudo, especialistas alertam que, em 75 % dos casos, os sinais do efeito colateral surgem entre 1 e 10 dias depois da suspensão do tratamento. Em algumas pessoas, podem aparecer até depois de 6 semanas.
Enquanto os médicos realizam essa investigação e aguardam pelos resultados dos exames complementares, um novo medicamento já foi introduzido, de forma profilática, no esquema de tratamento do Lucca desde ontem. Trata-se do Flagil (metronidazol), bastante eficaz contra o Clostridium difficile.
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