sábado, 4 de abril de 2009

Vivendo sob fortes emoções

Não posso negar: marasmo é algo que não vivo aqui! Como falo sempre, é como matar um leão por dia....

Sempre surge uma emoção diferente. Algumas que me enchem de orgulho, outras que me fazem rir à beça, aquelas por que choro dolorida e copiosamente, sem falar das que me fazem sentir medo e uma chatíssima sensação de impotência. O bom de tudo isso é o aprendizado que fica, a vivência que se tem, a constatação de que passa, que as coisas podem sim voltar à normalidade -- em especial no que diz respeito ao Lucca, graças à forma que é tratado pela equipe de profissionais do Einstein, sempre atenta e em prontidão pra responder ao menor sinal de desconforto que ele demonstre.

Noutro dia, foi o susto da madrugada. Acordei às 4h30 da manhã com o Lucca dizendo com voz angustiada: "Mamãe, mamãe, mamãe.... Tô sentindo muita dor, muita dor aqui no peito!". Um pulo da cama, quase uma síncope e, tudo isso num intervalo de 30 segundos talvez.... Cheguei até ele e quase infartei até que pudemos descobrir que se tratava de uma dor mais localizada, provavelmente no esôfago, provavelmente nada assim tão grave, provavelmente mucosite, felizmente confirmada e solucionada no dia seguinte pela equipe médica.

Hoje, agora há pouco na verdade, outro susto. Um super susto!!
Eu tranquila atualizando o blog e, de repente, Lucca acorda da soneca que estava tendo. Senta-se na beira da cama, começa a movimentar as pernas de forma mais agitada, pede prá fazer xixi e continua agitado. Começa a chorar, como que em desespero.... Eu, ali, na frente dele, pergunto o que é, chamo a enfermagem, sem sair do seu lado, pergunto de novo. Tento entender e identificar onde é a tal dor, de que intensidade é, sei lá.... Ele chora. Se desespera. E nisso, imaginem... meu coração parece moído! Ele chora mais. Mas insisto. Acho até que o deixo nervoso ao tentar perguntar tanto sobre o que se passa.

"É uma dor nas pernas, uma dor forte, no joelho, uma dor horrível, mamãe, nos músculos, dor nos ossos talvez", me diz em lágrimas sentidíssimas. Eu sinto como se dor fosse em mim. Ou como eu gostaria que fosse, pelo menos....Nisso entra no quarto a Tê (a enfermeira Teresa), o examina, e lhe traz um analgésico prontamente. E tudo em que? Dois, três, cinco minutos, não mais do que isso. Um intervalo de tempo até curto em segundos, mas longo em desespero. Eu ali, o via chorando, me sentia impotente, pareceu uma eternidade prá mim.

Saco um copo d´água. Jogo dois saquinhos de açúcar dentro. Misturo bem. Sento na cama. Lucca ainda chora. Pego meu filho no colo, como quando era bebê. Abraço-o forte, tal qual fosse possível ele passar aquela essa maldita dor pra mim. O medicamento já está correndo pelo catéter. Sei que logo a dor vai passar. Aquilo tudo que estou fazendo, também sei, nada tem de científico. Era só amor mesmo, e uma vontade enorme de fazer de um tudo pra ele parar de chorar, de sofrer.

Aos poucos, ele vai se acalmando. Proponho que mudemos de cenário. Que a gente vá tomar um bom banho prá relaxar. Ele continuava chorando, ainda irritado, dizendo que não conseguia andar. Mas insisti, levei-o ao banheiro. Coloquei-o debaixo do chuveiro. Entrei junto no box, sem sequer pensar que podia me molhar também. E me molhei, claro. Mas que importava isso? Nada pagava eu estar ali, passando shampoo na careca gostosa dele, massageando sua cabeça, suas costas.... vendo as lágrimas irem parando... a dor passando.... o semblante voltando a parecer leve... os primeiros sinais de um sorrisinho de canto de boca.

Ufa!
Logo estávamos rindo, falando de outros assuntos, ele debaixo do chuveiro, me contando a estória dos filmes de Harry Porter. Nunca me interessei tanto pelos filmes do Harry Porter!

Moral da história........
Disseram a Te*, a Tania*, a Deia*: "será que é a 'dor da pega'?"
Que 'dor da pega', meu deus? Essa era nova prá mim.
Por experiência assistida, as enfermeiras nos contam que aquela dor PODERIA VIR A SER a dor da pega, os primeiros sinais de que a medula estaria pegando.

Sento pra pesquisar, consulto especialistas amigos e descubro mais detalhes: de fato, quando as novas células começam a se replicar dentro do organismo do paciente transplantado, podem ocorrer algumas alterações. Normalmente, do décimo ao décimo quinto dia após a infusão das células, espera-se o surgimento dos primeiros sinais que a nova medula óssea esteja começando a funcionar – a "pegar".

Além dos aumento paulatino na contagem dos leucócitos (glóbulos brancos) do sangue periférico, pode ocorrer uma sensação de fadiga extrema, dor muscular intensa, desconforto, maior irritabilidade até. Os médicos falam inclusive que pode ser particularmente difícil para o transplantado concentrar-se para ler um livro, ver televisão ou conversar. Mas reforçam o quanto importante é que, nesta fase, ele mantenha sua rotina de caminhar, tomar banho, fazer a higiene oral etc.

Bom, se isso que o Lucca sentiu foi ou não a tal 'dor da pega', ninguém pode afirmar. A torcida é grande. Pensamento positivo e dedos cruzados mais uma vez. Mas a paciência deve ser maior!

5 comentários:

Mário R. disse...

Luzinha.... que aperto no coração que me deu só de ler isso. Imagino como vc se sentiu, meu anjo... Por que não ligou? Talvez nem tenha dado tempo, né? Juro, queria poder fazer algo pra amenizar tua aflição e a do Lucca também. Todas elas. Não esquece que você tem muitos amigos que te adoram e que estão a postos pra o que você precisar, tá? Eu incluso. É só 'gritar' ;o)
Força, minha linda! Já tá quase acabando esse pesadelo todo.
Bjo

Milene Bastos disse...

Lu, minha amiga, que dor é essa? Quanto aprendizado, deus do céu? Vc é sim, é mesmo uma guerreira!!!
Tenho um super orgulho de te ter como amiga, viu? Bjo enorme, Mi

Jaque disse...

PQP!!!!!! que mais dá pra dizer numa hora dessas? Caramba!!! Nem sei o que te dizer. Entrei pra ver o blog antes de sair e, posso dizer? até me desanimei de ir pra balada. Tive vontade é de correr pra aí, te pegar no colo, te dar um abraço de urso, minha amiga. Vou te ligar logo mais, ta? Bjao, Jaque

Anônimo disse...

queridona

passei o dia pensando em vcs e louca pra chegar a hra de ler o blog (que já virou uma espécie de rotina). Quando comecei a ler de baixo pra cima fui entrando em parafuso só de pensar que maus bocados vcs passaram...mas, por outro lado, vamos pensar que essa tal "pega" tá com pinta que tá pegando...eu reli os posts e os sintomas estão se mostrando: irritabilidade, variação dos parâmetros sanguíneos e agora a tal dat dor (podia passar sem essa, né?)...mas estamos de dedos cruzados como nunca. Ufa!!!!
Beijos

Karla

Renata disse...

Oi Luzinha
q dor q vc deve ter sentido..........mas sei q vc é super forte...........e o Lucca mais ainda..........espero que essas grandes emoçoes terminem logo.....e q o Lucca volte a brincar com os amiguinhos......a Gi ta esperando ele......e pergunta todos os dias......qdo o Lucca volta mesmo mamae??.......já já.......
bj
Deus abençoe vcs