Sensação de azia e de retorno de sucos digestivos ao esôfago podem ser sintomas de um mal crônico, a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). O problema, que atinge cerca de 20% da população mundial, e as formas mais indicadas de tratamento serão tema da palestra gratuita que acontecerá no Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, no próximo dia 23/11, com o gastroenterologista Eduardo Berger.
O especialista explicará como se desenvolve a doença, quais são os sinais de alerta, como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos indicados para o controle do refluxo.
Entre os sintomas da DRGE estão, além da azia, a queimação no esôfago, dor ou opressão na região do estômago e do peito, tosse, pigarro e rouquidão ,entre outras. A diversidade de formas deste mal se apresentar tem sido motivo de muitas dúvidas, tanto dos pacientes quanto dos médicos generalistas.
Para minimizar os sintomas e evitar complicações do refluxo, o especialista indica algumas medidas como combater a obesidade, alimentar-se de volumes pequenos e com intervalo de no máximo três horas e, ao dormir, elevar a cabeceira da cama em 15 centímetros.
Tratamento
Os casos leves de DRGE são tratados com medicamentos antiácidos, como preparações à base de hidróxido de magnésio e alumínio, e medicamentos inibidores de receptores H2 histaminérgicos, como a ranitidina e cimetidina. Além disso, há os pró-cineticos, que melhoram o esvaziamento gástrico (como a domperidona, metoclopramida e bromoprida). Os mais efetivos são os inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, rabeprazol dentre outros) ingeridos 1 ou 2 vezes ao dia. São também indicadas medidas como não deitar após as alimentações e dormir com a cabeceira da cama mais elevada.
Para os casos mais graves e aqueles que não respondem ao tratamento clínico, pode estar indicado o tratamento cirúrgico, que consiste na correção da hérnia de hiato ou da incontinência do esfíncter inferior do esôfago através da confecção de uma válvula anti-refluxo (fundoplicatura) com o fundo gástrico que envolve total ou parcialmente o esôfago.
Há também algumas plantas medicinais como a camomila e o alcaçuz que têm mostrado eficácia na melhora dos sintomas.Recentemente foi aprovada técnica endoscópica, trans-oral, para a correção do refluxo. A técnica envolve o uso do aparelho EsophyX e vem sendo empregada com sucesso em pacientes com hérnia de hiato pequena, ou sem hérnia de hiato. Estudos a longo prazo ainda não estão disponiveis, porém os resultados preliminares são promissores.
Lucca tinha DRGE quando nasceu
Engana-se quem pensa que o refluxo gastroesofágico acomete apenas adultos. É bastante comum inclusive, bebês e crianças sofrerem com vômitos e regurgitações principalmente após as mamadas e refeições por causa da imaturidade do esfíncter esofagiano.
O Lucca, meu filho mais velho -- que foi quem inspirou a criação desse blog -- nasceu com DRGE. Como boa mãe de 'primeira viagem', demorei pra entender o que o fazia regurgitar após cada mínima ingestão de leite e até de água... E minhas roupas, especialmente na altura dos ombros, viviam cheirando a queijo naquela época rsrs.....
Hoje lembro rindo e com saudades mas, na época, foi um susto danado. Eu ficava muito preocupada com aquelas regurgitações, com receio de que ele perdesse peso e ficasse fraco demais. Uma gastropediatra muito boa, que integrava a equipe da clínica Gastroped, em São Paulo, foi quem fez o diagnóstico e recomendou tratamento medicamentoso para ele. Ela me explicou que, em 80% dos casos, o refluxo tende a regredir a partir dos seis meses de vida, coincidindo com a introdução dos alimentos sólidos e a condição de uma postura corporal mais ereta.
E foi o que aconteceu. Na verdade, em menos de 45 dias dias de tratamento, o refluxo cessou por completo. Mantive o leite materno e o deixava “em pé” para arrotar depois de alimentado por pelo menos meia hora antes de deitá-lo. Outra dica valiosissima dizia respeito à cabeceira do berço, que deve ficar elevada para que a ação da gravidade ajude o esvaziamento gástrico, assim como a posição de lado em cima do braço direito.
Serviço | Palestra gratuita sobre Refluxo Gastroesofágico
Dia 23 de novembro, quarta-feira, às 15h
Centro de Convenções do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos
Rua Borges Lagoa, 1.450 - Vila Clementino, São Paulo/SP
Mais informações e inscrições: (11) 5080-4127 ou 5080-4351
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
domingo, 23 de maio de 2010
Mais um adeus, mais uma dor...
Sexta-feira, 21/5. Eram 8 e pouquinho da noite quando cheguei em casa com as crianças. Estava acabando de me arrumar -- tínhamos uma festa de trabalho pra ir -- quando o telefone tocou. Vinha a notícia: minha avó acabara de falecer.....
Ela não vinha bem de saúde desde o Carnaval. Nesses três meses, foram quatro AVCs (acidente vascular cerebral), quatro infartos e, ainda, o diagnóstico de um tumor em um dos ovários. Nos últimos dias, estava já bastante debilitada, sem qualquer indicativo por parte dos médicos do Incor de que poderia deixar o hospital e voltar pra casa.... Os mesmos médicos que lhe prestaram um atendimento de primeiríssimo mundo em pleno sistema público de saúde!
Aqui, quero fazer um parênteses, para agradecer muitíssimo a três pessoas muito especiais:
No fundo, meu lado mais racional se preparava um pouquinho a cada dia para mais essa perda. Era quase que o curso natural das coisas.... Por mais difícil que fosse, a evolução do quadro clínico da minha avó dava sinais de que, dificilmente, poderíamos tê-la de volta em casa.
Mas o problema parecia não ser só esse. A confusão mental e emocional -- que eram pesadíssimas pra todos nós -- tinham muito a ver com as lembranças que tudo isso trazia dos últimos dias de vida no meu Cucca: a insuficência renal, o acúmulo de água nos pulmões, a pressão arterial que já não se estabilizava mais... Nossa, como era duro reviver isso tudo e tão pouco tempo depois....
Sempre me lembro de uma frase que minha irmã me disse lá no Einstein há 9 meses, quando falávamos que o corpo humano é realmente uma máquina com todas as engrenagens perfeitamente ligadas: "Mas que droga que é assim, tudo tão certinho e interligado. Melhor que não fosse...".
Há mesmo que se concordar. De fato, quando algo começa mal, o efeito é como de um dominó: coração que já não bombeia adequadamente o sangue, rins que param de funcionar bem, os pulmões, daí o fígado, e a pressão e... e... e...
No final das contas, eu sabia que precisava ser forte. De novo. Eu tinha de ser um porto-seguro pra minha família. De novo. Em especial pra minha mãe que estava sofrendo demais com aquela situação. De novo!
Quando a veio a notícia do falecimento, corri pra encontrar minha mãe. E dar-lhe suporte emocional mas também agir na prática. Infelizmente, havia detalhes duros para serem cuidados. Por dentro, eu estava um lixo! Já vinha assim desde quarta-feira quando completou 9 meses desde a despedida do Cucca. E ter de viver esse choque naquele momento não estava nada fácil pra mim. Mas segurei as pontas.
E toquei bem as coisas. A saída do hospital, a ida para o velório, o velório em si. Era a primeira vez que eu voltava ao Cemitério São Paulo desde o dia 19/8/2009..... Mas, ao chegar junto à lápide da família, putz..... como doeu! A despedida da minha avó já era por si só uma despedida doída. Mas tinha a saudade do Lucca junto com tudo isso. As lembranças daquele daquela quarta-feira... o vazio que, de novo, só fez crescer.
.........
A verdade é que entendo, respiro fundo, toco a vida, reaprendo a conviver com essa falta um pouquinho a cada dia. Mas, me conformar, não consigo. E tendo a crer que não vou conseguir nunca mais....
Ela não vinha bem de saúde desde o Carnaval. Nesses três meses, foram quatro AVCs (acidente vascular cerebral), quatro infartos e, ainda, o diagnóstico de um tumor em um dos ovários. Nos últimos dias, estava já bastante debilitada, sem qualquer indicativo por parte dos médicos do Incor de que poderia deixar o hospital e voltar pra casa.... Os mesmos médicos que lhe prestaram um atendimento de primeiríssimo mundo em pleno sistema público de saúde!
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Aqui, quero fazer um parênteses, para agradecer muitíssimo a três pessoas muito especiais:
- aos novos grandes amigos Renata e Rafael: vocês foram estupendos! Nunca teremos com agradecer por todo o carinho e atenção que nos deram. E, principalmente, pelo empenho ímpar que garantiu que minha avó pudesse dispor do melhor atendimento possível nesse seu finzinho de vida;
- a você, Ro, pelo homem e parceiro maravilhoso que é, pelo amigo incrível que sempre foi. Nada que eu te diga será suficiente pra dizer o quanto você é importante pra mim, e o quanto sou grata a você por tudo! Aquele teu gesto de interceder junto a amigos seus, lá atrás, para que minha avó fosse transferida do Hospital Universitário da USP para o Incor, nossa, marcou muito a todos nós. Obrigada por fazer parte da minha vida de um jeito tão especial. Amo você!
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No fundo, meu lado mais racional se preparava um pouquinho a cada dia para mais essa perda. Era quase que o curso natural das coisas.... Por mais difícil que fosse, a evolução do quadro clínico da minha avó dava sinais de que, dificilmente, poderíamos tê-la de volta em casa.
Mas o problema parecia não ser só esse. A confusão mental e emocional -- que eram pesadíssimas pra todos nós -- tinham muito a ver com as lembranças que tudo isso trazia dos últimos dias de vida no meu Cucca: a insuficência renal, o acúmulo de água nos pulmões, a pressão arterial que já não se estabilizava mais... Nossa, como era duro reviver isso tudo e tão pouco tempo depois....
Sempre me lembro de uma frase que minha irmã me disse lá no Einstein há 9 meses, quando falávamos que o corpo humano é realmente uma máquina com todas as engrenagens perfeitamente ligadas: "Mas que droga que é assim, tudo tão certinho e interligado. Melhor que não fosse...".
Há mesmo que se concordar. De fato, quando algo começa mal, o efeito é como de um dominó: coração que já não bombeia adequadamente o sangue, rins que param de funcionar bem, os pulmões, daí o fígado, e a pressão e... e... e...
No final das contas, eu sabia que precisava ser forte. De novo. Eu tinha de ser um porto-seguro pra minha família. De novo. Em especial pra minha mãe que estava sofrendo demais com aquela situação. De novo!
Quando a veio a notícia do falecimento, corri pra encontrar minha mãe. E dar-lhe suporte emocional mas também agir na prática. Infelizmente, havia detalhes duros para serem cuidados. Por dentro, eu estava um lixo! Já vinha assim desde quarta-feira quando completou 9 meses desde a despedida do Cucca. E ter de viver esse choque naquele momento não estava nada fácil pra mim. Mas segurei as pontas.
E toquei bem as coisas. A saída do hospital, a ida para o velório, o velório em si. Era a primeira vez que eu voltava ao Cemitério São Paulo desde o dia 19/8/2009..... Mas, ao chegar junto à lápide da família, putz..... como doeu! A despedida da minha avó já era por si só uma despedida doída. Mas tinha a saudade do Lucca junto com tudo isso. As lembranças daquele daquela quarta-feira... o vazio que, de novo, só fez crescer.
A verdade é que entendo, respiro fundo, toco a vida, reaprendo a conviver com essa falta um pouquinho a cada dia. Mas, me conformar, não consigo. E tendo a crer que não vou conseguir nunca mais....
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Entre tantos sustos, uma ótima notícia: mais de 4000 neutrófilos hoje!
Tranquilidade não é propriamente a palavra que melhor define a rotina dos últimos dias do Lucca aqui no Einstein. Ao contrário. Especialmente de sexta passada para cá, ele vem experimentando situações e sensações nada agradáveis. No final de semana passado, seu quadro realmente se agravou mais -- pra se ter uma idéia, sua perfusão* era de até 7 segundos (quando o normal é inferior a 3 segundos....). As diarréias eram constantes e a perda de sangue na urina e fezes, idem. Prá completar, o aspecto físico dele, super debilitado, com redução significativa de peso... nossa, foram sustos atrás de sustos. Angústias atrás de angústias....
A mais bizarra, talvez, tenha sido a da última terça, quando, do nada, por um grande desencontro de informações e por uma confusão enorme de comunicação, quase o Lucca foi transferido pra Semi-UTI..... Bota susto e angústia nisso!
Mas, enfim, depois de uma semana cheia de altos e baixos, de muita dúvida, e de medos latentes, tivemos hoje uma ótima notícia: os leucócitos do Lucca voltaram de vez a responder ao estímulos do Granulokine (medicamento que incentiva a produção de glóbulos brancos, em especial, dos neutrófilos -- o hemograma de hoje acusou 4089/mm3, de um total de 4700/mm3 leucócitos.
O mais bonitinho foi receber esse resultado por meio de um torpedo no celular, enviado pela Dra Ju Folloni. Muito fofo mesmo da parte dela. É o máximo ver o carinho que ela e toda a equipe têm pelo meu filhote. Isso me conforta um pouquinho, me alivia a alma um pouquinho. Claro, porque o alívio completo só me virá quando Lucca receber alta!
A mais bizarra, talvez, tenha sido a da última terça, quando, do nada, por um grande desencontro de informações e por uma confusão enorme de comunicação, quase o Lucca foi transferido pra Semi-UTI..... Bota susto e angústia nisso!
Mas, enfim, depois de uma semana cheia de altos e baixos, de muita dúvida, e de medos latentes, tivemos hoje uma ótima notícia: os leucócitos do Lucca voltaram de vez a responder ao estímulos do Granulokine (medicamento que incentiva a produção de glóbulos brancos, em especial, dos neutrófilos -- o hemograma de hoje acusou 4089/mm3, de um total de 4700/mm3 leucócitos.
O mais bonitinho foi receber esse resultado por meio de um torpedo no celular, enviado pela Dra Ju Folloni. Muito fofo mesmo da parte dela. É o máximo ver o carinho que ela e toda a equipe têm pelo meu filhote. Isso me conforta um pouquinho, me alivia a alma um pouquinho. Claro, porque o alívio completo só me virá quando Lucca receber alta!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Lucca não está legal.....
Nesses últimos quase cinco meses, o estado geral de saúde do Lucca enfrentou períodos de grande oscilação e alguma instabilidade. Na época da quimioterapia pré-transplante, por exemplo, o efeito dos medicamentos foi forte, o deixou um pouco debilitado, mas fisicamente ele permanecia gordo, com carinha de saudável.
Noutros momentos, chegou a ficar mais abatidinho por conta de uma dor local, uma infecção, uma febre até, mas seus exames de sangue e de imagem estavam bons -- o que nos dava um certo conforto e redobrava as esperanças de que tudo seria passageiro.
De dois dias prá cá, confesso a vocês: ele não está legal. Embora os eletrólitos (magnésio, sódio, potássio etc.) estejam razoavelmente controlados, o hemograma dele não vem trazendo números muito animadores. O total de leucócitos, por exemplo, tem se mantido baixo, entre 1000 e 1600/mm3, e não está respondendo ao estímulo do Granulokine® como sempre aconteceu.
O exame de PCR, que indica a presença de infecção no organismo e que chegou a um índice superior a 420 mg/L há cerca de três dias, voltou a cair, o que é bom. Hoje está em 140,5 mg/L.
Mas a febre persiste. E com ela todo um quadro de debilitação. Como também persiste a perda de sangue na urina e fezes e, de fato novo, uma diarréia mais acentuada e mais repetida ao longo do dia e da noite -- nas duas últimas madrugadas, praticamente não dormimos....
O apetite dele está zerado. Ele não tem vontade de comer nada. Nem o Nutridrink, suplemento alimentar em forma de leite com chocolate, que é do mesmo fabricante que traz o Óleo de Lorenzo pro Brasil (coincidências da vida.....), ele tem aceitado mais... Lucca está mesmo à base de um preparado parenteral, NPP, que lhe é infundido pela veia. Quando insistimos muito, ele dá uns golinhos num chá de erva-doce, e come dois ou três pedacinhos de torrada... Mas logo vomita. Vomita o que não tem no estômago até. Vomita, muitas vezes, incentivado por um catarro espesso que vem da garganta – e que aumentou de sexta prá cá.
Em resumo, Lucca está fisicamente fraco. Está cansado. Cansado de sentir desconforto, de sentir dor no corpo, de ficar no hospital, de tomar tantos remédios (ele está recebendo medicações pelas duas vias do cateter e também e pelas outras duas do acesso periférico colocado em sua veia do braço esquerdo na terça passada) e, mesmo assim, não melhorar. Ele fala isso sempre....
Mas, por incrível que pareça, mantém uma força que não se explica. Ele é muito forte. É um guerreiro mesmo. Basta pensar em como a gente fica quando tem uma gripe forte, uma febre chata, uma virose que nos faz vomitar ou ir ao banheiro por vezes seguidas....
Lucca, contudo, consegue segurar as pontas como, acredito, muito pouca gente o faria.... Ele segue firme sobre suas perninhas super finas, magrelas, que são só pele e osso -- sem exagero nenhum! E não nego: vê-lo assim me derruba! Faço, das tripas, coração prá não bambear, prá não entregar os pontos, prá não chorar na frente dele. Procuro passar ao Lucca um estímulo e uma segurança que, na verdade, tomo emprestados dele mesmo.
Há momentos, contudo, que despencar torna-se inevitável. Como agora há pouquinho, por exemplo. Ele estava sentado na cama, com um baita febrão, pressão de 14 por 10, vomitando muito -- o que não havia prá vomitar. Olhos fundos, corpinho cansado, pedindo que eu, sentada do lado dele, esperasse só um pouquinho mais pra lhe dar os remédios de horário. Daí me chamou pra que eu chegasse mais perto. Abracei-o. E ele me falou no ouvido: “Mamãe, eu não conseguiria nada se você não estivesse aqui comigo...”.
Nossa, caramba, essa frase não me sai da cabeça, não me deixa secar o rosto desde então.... De felicidade, por receber esse carinho dele. Mas de dor também. Como assim??? Mal sabe ele que me retroalimento da força dele....
E só consigo me perguntar: por quê??? Por que meu filho tem que viver isso tudo, desse jeito, tão difícil, tão longo, tão arrastado???
Quando ele me falou aquela frase na cama, só fiz abraçá-lo, apertado, dei um beijo muito longo na sua bochecha. Queria colocá-lo no meu colo, na minha barriga, queria arrancar dele esse monte de dores e desconfortos, como que se por osmose. Queria viver isso no lugar dele! Tirá-lo daqui....
Tudo que quero é meu filho inteirão de volta, nossa vida de volta....
Noutros momentos, chegou a ficar mais abatidinho por conta de uma dor local, uma infecção, uma febre até, mas seus exames de sangue e de imagem estavam bons -- o que nos dava um certo conforto e redobrava as esperanças de que tudo seria passageiro.
De dois dias prá cá, confesso a vocês: ele não está legal. Embora os eletrólitos (magnésio, sódio, potássio etc.) estejam razoavelmente controlados, o hemograma dele não vem trazendo números muito animadores. O total de leucócitos, por exemplo, tem se mantido baixo, entre 1000 e 1600/mm3, e não está respondendo ao estímulo do Granulokine® como sempre aconteceu.
O exame de PCR, que indica a presença de infecção no organismo e que chegou a um índice superior a 420 mg/L há cerca de três dias, voltou a cair, o que é bom. Hoje está em 140,5 mg/L.
Mas a febre persiste. E com ela todo um quadro de debilitação. Como também persiste a perda de sangue na urina e fezes e, de fato novo, uma diarréia mais acentuada e mais repetida ao longo do dia e da noite -- nas duas últimas madrugadas, praticamente não dormimos....
O apetite dele está zerado. Ele não tem vontade de comer nada. Nem o Nutridrink, suplemento alimentar em forma de leite com chocolate, que é do mesmo fabricante que traz o Óleo de Lorenzo pro Brasil (coincidências da vida.....), ele tem aceitado mais... Lucca está mesmo à base de um preparado parenteral, NPP, que lhe é infundido pela veia. Quando insistimos muito, ele dá uns golinhos num chá de erva-doce, e come dois ou três pedacinhos de torrada... Mas logo vomita. Vomita o que não tem no estômago até. Vomita, muitas vezes, incentivado por um catarro espesso que vem da garganta – e que aumentou de sexta prá cá.
Em resumo, Lucca está fisicamente fraco. Está cansado. Cansado de sentir desconforto, de sentir dor no corpo, de ficar no hospital, de tomar tantos remédios (ele está recebendo medicações pelas duas vias do cateter e também e pelas outras duas do acesso periférico colocado em sua veia do braço esquerdo na terça passada) e, mesmo assim, não melhorar. Ele fala isso sempre....
Mas, por incrível que pareça, mantém uma força que não se explica. Ele é muito forte. É um guerreiro mesmo. Basta pensar em como a gente fica quando tem uma gripe forte, uma febre chata, uma virose que nos faz vomitar ou ir ao banheiro por vezes seguidas....
Lucca, contudo, consegue segurar as pontas como, acredito, muito pouca gente o faria.... Ele segue firme sobre suas perninhas super finas, magrelas, que são só pele e osso -- sem exagero nenhum! E não nego: vê-lo assim me derruba! Faço, das tripas, coração prá não bambear, prá não entregar os pontos, prá não chorar na frente dele. Procuro passar ao Lucca um estímulo e uma segurança que, na verdade, tomo emprestados dele mesmo.
Há momentos, contudo, que despencar torna-se inevitável. Como agora há pouquinho, por exemplo. Ele estava sentado na cama, com um baita febrão, pressão de 14 por 10, vomitando muito -- o que não havia prá vomitar. Olhos fundos, corpinho cansado, pedindo que eu, sentada do lado dele, esperasse só um pouquinho mais pra lhe dar os remédios de horário. Daí me chamou pra que eu chegasse mais perto. Abracei-o. E ele me falou no ouvido: “Mamãe, eu não conseguiria nada se você não estivesse aqui comigo...”.
Nossa, caramba, essa frase não me sai da cabeça, não me deixa secar o rosto desde então.... De felicidade, por receber esse carinho dele. Mas de dor também. Como assim??? Mal sabe ele que me retroalimento da força dele....
E só consigo me perguntar: por quê??? Por que meu filho tem que viver isso tudo, desse jeito, tão difícil, tão longo, tão arrastado???
Quando ele me falou aquela frase na cama, só fiz abraçá-lo, apertado, dei um beijo muito longo na sua bochecha. Queria colocá-lo no meu colo, na minha barriga, queria arrancar dele esse monte de dores e desconfortos, como que se por osmose. Queria viver isso no lugar dele! Tirá-lo daqui....
Tudo que quero é meu filho inteirão de volta, nossa vida de volta....
terça-feira, 2 de junho de 2009
Lucca está bem.... bem bravinho....
Hoje pela manhã, Dr Nelson passou para ver e avaliar o estado de saúde do Lucca. Segundo ele, não há indícios suficientes que apontem para GVHD. Até porque o prurido (vermelhidão com coceira) na região do pescoço e costas de que ele estava reclamando ontem e anteontem melhoram muito depois da introdução de um medicamento antihistamínico.
Ele também não teve mais febres depois daquela registrada ontem por volta de 11h30. Apenas o quadro de falta de apetite persiste. De fato, ele não vem se alimentando bem nos últimos dias. Tanto que perdeu 3kg em uma semana.... Para tentar reverter isso, Dr Nelson prescreveu um novo comprimido, com o objetivo incentivá-lo a comer.
Mas, mesmo assim, ele está bem resistente, bravo, chato até. Como nunca esteve. Sempre hesita para tomar os remédios (é verdade que são quase 20 comprimidos todos os dias....), recusa as refeições, refere enjôos. Desde que se reinternou, prefere passar a maior parte do tempo dormindo. Nem videogame ou TV ele quis assistir.
Conversando com amigos psicoterapeutas, essa mudança de comportamento é mais do que explicável. A sensação que tenho é que ele está bem esgotado disso tudo, desse vai-e-volta pro hospital, dessa sensação de desconforto que ele sente, de ter de tomar tantos remédios... O cansaço dele é nítido!
O que tenho feito é conversar bastante com ele, procurando explicar que é realmente necessária essa quantidade de medicamentos e, principalmente, sobre quão importante é que ele tenha mais um pouco de paciência. Ele entende. Acho que entende até bem demais pra uma criança de 8 anos...
Eu daria tudo para poder estar no lugar dele.............
Ele também não teve mais febres depois daquela registrada ontem por volta de 11h30. Apenas o quadro de falta de apetite persiste. De fato, ele não vem se alimentando bem nos últimos dias. Tanto que perdeu 3kg em uma semana.... Para tentar reverter isso, Dr Nelson prescreveu um novo comprimido, com o objetivo incentivá-lo a comer.
Mas, mesmo assim, ele está bem resistente, bravo, chato até. Como nunca esteve. Sempre hesita para tomar os remédios (é verdade que são quase 20 comprimidos todos os dias....), recusa as refeições, refere enjôos. Desde que se reinternou, prefere passar a maior parte do tempo dormindo. Nem videogame ou TV ele quis assistir.
Conversando com amigos psicoterapeutas, essa mudança de comportamento é mais do que explicável. A sensação que tenho é que ele está bem esgotado disso tudo, desse vai-e-volta pro hospital, dessa sensação de desconforto que ele sente, de ter de tomar tantos remédios... O cansaço dele é nítido!
O que tenho feito é conversar bastante com ele, procurando explicar que é realmente necessária essa quantidade de medicamentos e, principalmente, sobre quão importante é que ele tenha mais um pouco de paciência. Ele entende. Acho que entende até bem demais pra uma criança de 8 anos...
Eu daria tudo para poder estar no lugar dele.............
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