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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Apesar de indispensável, a maioria dos hipertensos não consegue mudar dieta para controlar a doença

Estudo não deixa dúvida sobre a dificuldade do paciente com pressão alta em mudar seus hábitos alimentares, mesmo quando isso é fundamental para a manutenção de sua saúde. Apenas 13% dos hipertensos sob tratamento consomem sal na quantidade ideal para controlar a doença. Incor fará campanha de conscientização para a população nesta quinta-feira (26/4), Dia Nacional de Combater à Hipertensão.

A história se repete. O paciente chega ao consultório do médico e, ao ser perguntado se está seguindo a dieta com baixo teor de gordura e de sódio, jura de pés juntos que, sim, segue à risca as orientações do médico e da nutricionista. O aparelho de medicação de pressão arterial, contudo, conta outra história. A pressão arterial do paciente continua em níveis altos. Das duas uma, pensa o médico, ou o paciente não está tomando os medicamentos corretamente ou, o mais comum, não consegue abrir mão de uma dieta alimentar rica em sódio e gorduras, principais vilões da pressão arterial.

Especialistas da Unidade de Hipertensão do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) não se intimidaram e foram a fundo na busca de resposta a essa questão. Eles                  recorreram a uma fonte de dados que torna  impossível camuflar as evidências do consumo excessivo de sal: a urina coletada ao longo de um dia. Mesmo nessa população que tem acesso a informação e a tratamento qualificados, apenas 13,5% dos pacientes atingiram a meta de consumo de sódio preconizada pela comunidade médica internacional, que é de <100 mEq/24h (menos que cem miliequivalentes de sódio por dia) ou cinco gramas de sal, que preenchem três colheres rasas de café.

Os dados são alarmantes, diz o Dr. Luiz Bortolotto, cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Hipertensão, “já que a pressão alta, mal que acomete um terço da população brasileira, é a origem de 40% dos infartos, 80% dos acidentes vascular cerebral (AVC) e 25% dos casos de                  insuficiência renal terminal”.
O estudo do Incor foi desenvolvido entre 2009 e 2011, com uma população de 949 pacientes em tratamento para hipertensão arterial ou para insuficiência cardíaca no Instituto. Os pesquisadores analisaram ao longo de 24 horas os níveis de concentração de sódio na urina dessas pessoas que foi, em média de 185/183 mEq/24 horas (cento e oitenta e cinco a cento e oitenta e três miliequivalentes de sódio por dia), quase o dobro dos valores de consumo de sódio recomendados (<100                  mEq/24h).

Na visão de Bortolotto, o resultado reforça a tese cada vez mais defendida pela  comunidade médica de que somente o trabalho multiprofissional poderá aumentar o sucesso do paciente hipertenso na mudança de hábitos de vida visando o controle da doença. A ação integrada de médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos junto ao paciente tem dois efeitos importantes, diz o médico: “Acolhem-no em sua dificuldade de mudança de hábitos de vida, que é natural, e reforçam a mensagem de que tal mudança não é apenas fundamental para a sua saúde, mas é totalmente possível”.

As principais mudanças são simples de serem implementadas no dia a dia. “São apenas três passos: usar menos sal no preparo da comida e, se possível, raramente ou nenhum alimento processado. Além disso, seguindo a mesma lógica, o saleiro deve ser banido da mesa de refeição”.

Nesta quinta-feira (26), das 9h às 17h, médicos e nutricionistas do Incor (Instituto do                  Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) farão medição de pressão arterial e orientação nutricional na população, para marcar o Dia Nacional de Combate à Hipertensão.

O Incor fica na Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 44 – Cerqueira César - São Paulo/SP.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Incor seleciona voluntários para pesquisa em hipertensão

O Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) está selecionando hipertensos de até 55 anos de idade, que não praticam atividade física regularmente, para participação em estudo sobre os benefícios do treinamento físico regular no controle da pressão arterial.

Os candidatos devem ter hipertensão leve – em torno de 14 por 9 -, que não seja tratada com o uso de medicamentos.

Além disso, devem ter disponibilidade de tempo para comparecer ao Incor com regularidade para treinamento físico, consultas e exames de avaliação. Não podem participar do estudo, indivíduos com impedimentos físicos para a prática de exercícios ou que apresentem doenças coronárias ou isquêmica cerebral, como AVC (acidente vascular cerebral).

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3283-3139 ou pelo e-mail cndkatia@incor.usp.br, com Kátia.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Hipertensão é responsável por 80% dos casos de AVC no Brasil

Pesquisa mostra que poucos adultos são capazes de reconhecer os sintomas de um derrame

A hipertensão -- doença que acomete todas as faixas etárias, atinge 30% da população adulta brasileira, chegando a mais de 50% na terceira idade -- está presente em 80% dos casos de acidentes vascular cerebral (AVC). Estimativas do Ministério da Saúde apontam que o AVC é a principal causa de morte em todas as regiões do País. Dentre os pacientes que sobrevivem, 50% ficam com algum grau de comprometimento ou sequela.

Um dos principais objetivos Sociedade Brasileira de Hipertensão para 2010 é aumentar para 83% a porcentagem de pessoas capazes de reconhecer os principais sintomas do AVC, popularmente conhecido como derrame. Isso porque:

  • uma grande maioria dos casos de AVC acomete os pacientes quando eles estão fora dos hospitais (nos EUA, essa incidência foi de cerca de 54% em 2004);
  • AVC é a terceira causa mais frequente de morte, atrás de doenças cardíacas e câncer;
  • a administração de medicação específica pode beneficiar pacientes com derrame isquêmico agudo, entretanto, o tratamento deve obrigatoriamente ser iniciado em até três horas quando do aparecimentos dos primeiros sintomas;
  • para o derrame hemorrágico, é crucial a cirurgia imediata que previne a possibilidade de um novo sangramento, evitando assim sérios danos ou morte que ocorre em 40% a 60% dos casos.

Sinais que precedem um derrame
Alguns sintomas podem ser indicativos importantes de que uma pessoa está sofrendo um AVC. São eles:
  • Cefaleia intensa e súbita sem causa aparente
  • Dificuldade de falar e perda de equilíbrio
  • Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna do lado esquerdo ou direito do corpo
  • Alteração súbita da sensibilidade, com sensação de dormência e/ou formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo
  • Perda súbita de visão em um olho ou nos dois
  • Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar palavras ou para compreender a linguagem
  • Instabilidade, vertigem súbita e intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos

Hipertensão x tratamento
A adesão ao tratamento quando descoberta a doença é um dos grandes desafios da medicina. Pesquisa realizada pelo Dr. Décio Mion, conselheiro da sociedade Brasileira de Hipertensão e chefe da Unidade de Hipertensão do HC-FMUSP, demonstra que o problema vem desde a consulta médica até a mudança no estilo de vida do paciente. Dos entrevistados, 76% afirmaram estar insatisfeito com o atendimento dos médicos e procuram outro especialista, 30% afirmaram ter toda atenção do especialista e 37% estão satisfeitos com o atendimento.

No que diz respeito à adesão ao tratamento, o estudo mostrou que:
  • 79% dos pacientes gostariam de ter uma relação mias próxima e mais contínua com o médico;
  • 84% se interessam em ter mais informações sobre a doença;
  • e 91% gostariam que o médico entrasse em contato com eles pós-consulta.

Sintomas
A pressão alta tem fácil diagnóstico. Se tratada, dá ao paciente a chance de seguir com a vida tranquilamente desde que inclua novos hábitos em seu cotidiano. No entanto, por ser silenciosa, ela é também um dos principais fatores de riscos de doenças que atinge coração, rins e cérebro. Segundo o Ministério da Saúde, das 900 mil fatalidades registradas no Brasil, anualmente, quase 30% decorrem de alterações no sistema cardiovascular provocadas pela elevação crônica da pressão arterial.


Novo estilo de vida
Há dois tipos de tratamento para hipertensão: com e sem medicamentos. O uso ou não de remédios depende do estágio da doença e do risco cardiovascular do paciente. Uma pessoa que acabou de ser diagnosticada pode conseguir reverter a alta da pressão adotando um estilo de vida saudável, que inclua redução do sal na alimentação, maior consumo de vegetais e pouco ou nada de álcool. Além da prática regular de exercícios físicos e a perda de peso.

"Essas mudanças de hábitos servem tanto para a prevenção da doença como para o seu tratamento", ressalta o nefrologista. Reduzir o consumo de sal significa consumir, no máximo, 6 gramas diárias, o que equivalente a quatro colheres rasas das de café. O brasileiro consome, em média, 12 a 14 gramas de sal por dia.

O controle do peso e a realização de atividades físicas regulares durante pelo menos 30 minutos, três vezes por semana, contribuem não só para o controle da hipertensão, mas também para a queda da insulinemia (excesso de insulina no sangue), além de reduzir a sensibilidade ao sódio e diminuir as atividades do sistema nervoso simpático.

O fumo é o único fator de risco totalmente evitável de doença e morte cardiovasculares. Evitar esse hábito que, em 90% dos casos ocorre na adolescência, é um dos maiores desafios em razão da dependência química causada pela nicotina.

domingo, 7 de junho de 2009

Lucca registra picos de pressão sanguínea mais alta e amanhece com febre hoje

Ontem, no final do dia, Lucca registrou, por duas vezes, pressão um pouco mais alta (12x8) do que a considerada normal nessa faixa etária (9x6 ou 10x7). A diferença nem foi é significativa assim mas o que me chamou a atenção foi o fato de ele não ter essa elevação desde a época logo após o transplante de medula.

É sabido que um aumento da pressão sanguínea é esperado especialmente durante o período em que o paciente está sob efeito de medicamentos quimioterápicos e imunossupressores. Estudos mostram que, após o TMO, uma hipertensão arterial é invariavelmente presente, e o uso de ciclosporina e de corticoesteroides em altas doses são fatores contribuintes para esse quadro.

Por isso mesmo, um dos medicamentos prescritos de forma profilática (preventiva), após a alta da unidade de TMO, é o Norvasc® (besilato de anlodipino). O anlodipino age interferindo no movimento do cálcio para dentro das células cardíacas e da musculatura dos vasos sangüíneos. Como resultado dessa ação, o anlodipino relaxa os vasos sangüíneos que irrigam o coração e o resto do corpo, aumentando a quantidade de sangue e oxigênio para o coração, reduzindo a sua carga de trabalho e, por relaxar os vasos sangüíneos, permite que o sangue passe através deles mais facilmente.

A pressão sangüínea alta impõe ao coração e às artérias uma sobrecarga de trabalho que, a longo prazo, faz com que o coração e as artérias não funcionem adequadamente. Isto pode causar danos nos vasos sangüíneos do cérebro, coração e rins, resultando em acidentes cérebro-vasculares, deficiência cardíaca e renal. Pressão alta também pode aumentar o risco de ataques cardíacos. Se a pressão sangüínea for controlada, esses problemas podem não ocorrer ou pode haver menor possibilidade de que ocorram.

Novo pico de febre
Hoje, por volta de 8h, a enfermagem entrou para administrar os medicamentos de horário. Assim que cheguei do lado dele pra acordá-lo, notei logo que suas bochechas estavam mais coradas e usei o velho e bom 'método materno' (beijinho na testa) pra tentar identificar se aquilo era sinal de febre ou não. Suspeita confirmada. Ele estava com 38,1oC de temperatura....

Como já falamos antes, febre é invariavelmente sinal de alerta que o sistema de defesa do organismo emite sempre que algo estranho está acontecendo, principalmente quando há a presença de infecções. Os especialistas sempre ressaltam que, por conta disso, não faz sentido querer baixá-la a qualquer preço. "O fundamental é saber reconhecê-la, acompanhá-la e ficar atento ao que ela está querendo sinalizar", diz o médico Edvado Souza, chefe do Serviço de Imunologia Clínica do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip).

Não sabemos ainda qual a razão desse novo pico febril do Lucca. E nem mesmo se isso tem alguma relação com algum outro quadro dele, novo ou reincidente. A Dra Rejane, que foi quem veio visitá-lo hoje, acredita que não se trata de um evento novo. Não quis nem mudar o antibiótico endovenoso por enquanto (ele está recebendo Maxcef®). Sugeriu que observássemos até amanhã.

Nesse domigo, em que Lucca completa 80 dias desde a data do transplante (D+80), os resultados dos exames estão bons. Eletrólitos em equilíbrio e dentro da faixa de normalidade, e contagens sanguíneas não tão preocupantes, ainda que mais baixas em relação às de ontem:
- 5800/mm3 leucócitos
- 9,4 g/dl de hemoglobina
- 31.000/mm3 plaquetas