quarta-feira, 26 de agosto de 2009

"Adeus, Lucca", por vovô Edilberto

Lucca deixou-nos. Ele foi chamado por Deus que se condoeu do seu sofrimento e o pôs no colo para refazer-lhe as forças, curar-lhe as feridas e livrá-lo daquela porção de cateteres.

Indiscutivelmente, ele foi um bravo guerreiro! Lutou enquanto pode, e, em momento algum demonstrou fraqueza. Sempre em que, liberado da sedação, conseguíamos interagir, e perguntávamos se estava desconfortável ou sentia algo, ele sempre nos repetiu que estava tudo bem, que nada o incomodava e que tudo iria dar certo. Ele só queria realmente voltar para casa, e, mais de uma vez me disse: - “Me leva pra sua casa, vovô, lá eu vou ficar bom”!

Foi muito difícil para nós, que acompanhamos a evolução de tudo desde 01/08/2008, vê-lo nesta última semana cercado de cateteres e aparelhos que o mantinham vivo quase que artificialmente. Os médicos fizeram dele uma cobaia dos seus experimentos científicos. A medicina anda avançadíssima - pena que nada desse avanço tenha dado certo com o nosso menino.

Nem sei, ao menos, avaliar o quanto ele sofreu! Seu rostinho, até o fim, talvez para que não nos preocupássemos, não demonstrava qualquer sofrimento. Acho até que Deus o tenha preparado para esse momento em que devia devolver sua alminha inocente ao Criador.

Só sei que não foi o que havíamos combinado! Ele tinha de ter saído daquela cama e voltado ao nosso convívio, para correr pela nossa casa e fazer as molecagens inocentes em que nós ajudávamos como eficientes parceiros! Quanta bagunça fizemos juntos!!! Quantos sorrisos ele arrancou dos nossos lábios de avós corujas!!! Quanta coisa planejamos para quando ele saísse daquele hospital: - o churrasco de picanha no fundo do quintal de casa... a bicicleta nova que prometemos dar-lhe de presente para que ele pudesse andar com os irmãos na pracinha... a ida à praia pescar, pra que ele usasse a vara e o molinete que ganhou de presente de aniversário da mãe, o aeromodelo que estávamos montando juntos. Tanta coisa mais... tudo planejado e ele agora faz essa terrível molecagem conosco!!! Ah, garoto sapeca! Não tem pena da gente, não? Ainda te puxo as orelhas por isso! Não é justo. Você mesmo vivia repetindo isso!!!

Beijo, amor,

Vovô

3 comentários:

Anônimo disse...

Uma das coisas mais lindas que já li na minha vida. Força, vô, força, Lu.

Pliana disse...

Nossaa...isso é uma das grandes provas q o amor não tem barreiras...e q a vida continua depois da chamada "morte", morte física apenas, pois o Lucca está aprontado as molecagens dele lá de cima...e no momento q se encontrarem vai ser especial demais...
Bjus no coração e força!!!

**BA** disse...

Quem me dera ter um vovô como este...Você deve ter sido responsável por inúmeros momentos de alegria do Lucca. E o maor que você criou na sua família vai viver para sempre no coração de seus descententes.

Um beijo bem grande

Karla